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Millennium bcp compra 16,4 milhões de ações próprias em cinco dias

Banco liderado por Miguel Maya continua a sua política de remuneração acionista, depois de 11 anos com os títulos a valer menos de 1 euro

09 Ago 2026 - 09:20

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Foto: Millennium BCP

Foto: Millennium BCP

O Millennium bcp anunciou, na passada sexta-feira, em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que, no contexto do programa de recompra de ações próprias aprovado pelo banco, comprou, através do J.P. Morgan SE, mais 16,4 milhões de ações, todas a um valor acima de 1 euro, entre os dias 3 e 7 de agosto.

No total, no âmbito do programa de recompra, o banco já gastou 123 milhões de euros na aquisição de 118.750.771 ações próprias, representativas de 0,80% do seu capital social.

O Millennium bcp continua, assim, a sua política generosa de remuneração dos acionistas, depois de 11 anos com o título a valer menos de 1 euro. O dia 17 de junho fica na memória do Conselho de Administração liderado por Miguel Maya. Na sessão desse dia, os títulos do banco fecharam nos 1,03 euros, uma “barreira psicológica” que deixa para trás os 2,25 mil milhões de euros em capital fresco levantados em 2014, através de um aumento de capital reservado aos acionistas — um esforço hercúleo, exigido a quem tinha suportado mais de 3 mil milhões de euros de prejuízos entre 2011 e 2014.

Foi só em 2015 que o banco regressou aos lucros, com um resultado líquido de 235,3 milhões de euros. Dez anos depois, superava os mil milhões de euros de lucro.

Assim, não é de estranhar que, além do dividendo total de 509 milhões de euros — correspondendo a um payout de 50% sobre o resultado líquido consolidado de 2025, que foi o melhor resultado de sempre do banco —, o BCP tenha reforçado o seu programa de recompra de ações, que passou a poder ir até 40% do resultado líquido anual (acima dos 25% previstos no plano anterior, de 2024), o que representaria cerca de 400 milhões de euros destinados à recompra de títulos.

Somando dividendos (50%) e a potencial recompra de ações (até 40%), o Millennium bcp pretende distribuir até 90% do resultado líquido anual aos acionistas — uma das políticas de remuneração mais generosas entre a banca portuguesa cotada, numa altura em que é pública a vontade de saída manifestada por um dos acionistas de referência do banco, os chineses da Fosun, que detêm 20,45% do capital.

Recorde-se que a Fosun entrou no capital do Millennium bcp em 2016 com 16,67%, por 174,6 milhões de euros, reforçando a posição em janeiro de 2017 para cerca de 24%, com mais 374 milhões de euros investidos, e chegou a atingir 29,95% no final de 2021.

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