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Ministro da Economia italiano rejeita interferência na aquisição do Mediobanca pelo MPS

Ministro garante que venda de ações do MPS no final de 2024 decorreu normalmente, apesar de anomalias apontadas pelo UniCredit.

19 Dez 2025 - 12:02

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Giancarlo Giorgetti, ministro da Economia e Finanças do Governo de Itália | Foto: Ministério da Economia e Finanças

Giancarlo Giorgetti, ministro da Economia e Finanças do Governo de Itália | Foto: Ministério da Economia e Finanças

O ministro da Economia de Itália, Giancarlo Giorgetti, negou “qualquer interferência ou pressão” no negócio da compra do Mediobanca pelo Monte dei Paschi di Siena (MPS), cuja Oferta Pública de Aquisição terminou no final de setembro com uma aceitação de 86,3%. Em causa está uma investigação da Justiça italiana sobre esta mesma aquisição.

O ministro justificou-se no parlamento perante os deputados e expressou ainda, citado pela Reuters, “confiança total” no CEO do MPS, Luigi Lovaglio. O líder do banco é uma de três pessoas a serem investigadas. A ele juntam-se os dois maiores acionistas do banco, nas pessoas de Francesco Caltagirone e Francesco Milleri. Este último é o CEO da EssilorLuxottica e gestor da Delfin, ‘holding’ da família Del Vecchio que detém uma posição relevante no MPS e no Mediobanca.

Segundo foi revelado no final de novembro, o MPS foi alvo de um mandado de busca e o seu CEO alvo de investigação. As suspeitas, reportou o jornal Corriere della Sera, dizem respeito a possíveis manipulações do mercado e obstrução de informação aos reguladores – o da bolsa, Consob, o Banco Central Europeu e o dos seguros, IVASS – no negócio de aquisição do Mediobanca.

Também sob alvo de suspeitas está a venda de ações do MPS pelo Estado – recorde-se que o banco foi resgatado em 2017, tendo voltado progressivamente à esfera privada. A última venda de ações deu-se em novembro de 2024, com o Banco BPM e a gestora de fundos Anima Holding – entretanto adquirida pelo BPM e cujo CEO foi posto à frente do Mediobanca – a entrar no capital.

Esta venda de ações está também sob suspeitas, tendo até o segundo maior banco de Itália, o UniCredit, reportado anomalias ao regulador do mercado por não ter conseguido participar na operação. Sobre esta questão, Giorgetti afirma que “nenhum investidor que tenha submetido propostas na venda foi excluído”.

O ministro garante que as suas discussões com banqueiros e outras decisões tiveram como objetivo um futuro estável para o banco mais antigo do mundo, sempre “sem qualquer tipo de interferência ou pressão nos atores e detentores de direitos de voto”. Acrescenta ainda que o MPS agiu de forma “autónoma” ao lançar a proposta sobre o Mediobanca.

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