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Portugal é dos países com as taxas de juro mais baixas no crédito à habitação para novos contratos

Segundo os números do Banco Central Europeu relativos a abril deste ano, a taxa de juro média dos novos contratos para a compra de casa situava-se nos 3,43%. Em Portugal, os juros fixaram-se nos 2,85%

17 Jun 2026 - 12:02

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Foto: Adobe Stock/Kenishirotie

Foto: Adobe Stock/Kenishirotie

Portugal tem a quarta taxa de juro mais baixa da zona euro para novos contratos de crédito à habitação. Os últimos números do Banco Central Europeu (BCE) mostram que a taxa de juro média para os novos empréstimos imobiliários estava, em abril, nos 3,43%. No nosso país, os juros para os novos contratos não ultrapassavam os 2,85%. Mais baixos do que em Portugal só os juros em Malta (2,08%), na Bulgária, recém-chegada ao euro (2,45%), e em Espanha (2,8%).

Nas grandes economias europeias, as taxas de juro para os novos contratos estão todas acima dos 3%. Em França, as taxas situam-se nos 3,11%, em Itália nos 3,47% e na Alemanha fixaram-se nos 3,84%.

A Euribor voltou a subir a três, a seis e a 12 meses nesta quarta-feira, voltando a tocar um máximo desde março de 2025 no prazo mais curto. Com estas alterações, a taxa a três meses, que avançou para 2,417%, continuou abaixo das taxas a seis (2,607%) e a 12 meses (2,759%).

A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, subiu hoje, ao ser fixada em 2,607%, mais 0,015 pontos do que na véspera.

Dados do Banco de Portugal  referentes a abril indicam que a Euribor a seis meses representava 39,56% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.

Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,53% e 24,55%, respetivamente.

Estes números surgem na semana em que o Banco de Portugal apresentou o Boletim Económico de junho, onde dedica um capítulo especial à problemática da habitação em Portugal. No documento refere-se que “os preços de venda e as rendas apresentaram uma variação semelhante desde 2017. Entre 2017 e 2024, o valor mediano por m² das vendas aumentou cerca de 88% e o valor mediano das rendas por m² aumentou cerca de 81%. Em 2025, o valor mediano das vendas aumentou cerca de 16%, traduzindo-se numa variação de cerca de 120% no período entre 2017 e 2025 (note-se que ainda não existem estatísticas oficiais sobre a evolução das rendas para 2025)”.

Segundo a entidade liderada por Álvaro Santos Pereira, “a maior parte dos municípios onde os preços mais aumentaram situam-se nas regiões da Área Metropolitana do Porto, Grande Lisboa e Península de Setúbal. Nos municípios de Sintra, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal, a variação do valor mediano por m² das vendas apresentou valores superiores a 200% entre 2017 e 2025”.

O Banco de Portugal acrescenta que “o valor das rendas de novos contratos também apresentou aumentos significativos a nível municipal entre 2017 e 2024. O valor mediano das rendas por m² mais do que duplicou em 23 municípios (num total de 184 para os quais existe informação)”.

Relativamente à perspetiva de evolução dos preços da habitação, os consumidores portugueses evidenciam expectativas de crescimento e níveis persistentemente superiores aos da área do euro. De acordo com o Banco de Portugal, “entre janeiro e março de 2026, a expetativa era de um aumento dos preços da habitação, em média, de 7% em Portugal e de 3,7% na área do euro”.

Os dados do inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE), citados pelo banco central, sugerem que, em Portugal, existe “uma perceção generalizada de que o momento atual é favorável ao investimento no mercado da habitação. Esta perceção tem vindo a reforçar-se desde o início de 2024 e situa-se acima da média da área do euro, posicionando Portugal entre os países com maior proporção de respostas positivas”.

“Entre 2019 e 2025, o preço das transações de habitação subiu de forma expressiva, registando uma taxa de variação acumulada de 86%. No mesmo período, o stock de empréstimos para habitação aumentou 22,2%. O crescimento dos empréstimos foi mais forte desde o início de 2024, coincidindo com o período de reversão da política monetária para um nível de taxas de juro mais neutral. Mais recentemente, a introdução do pacote legislativo dirigido aos jovens, através do regime de garantia do Estado, estimulou a atividade no mercado de crédito à habitação”, refere o supervisor.

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