4 min leitura
Portugal é dos países europeus onde menos se pede dinheiro emprestado a amigos e familiares
O Relatório de Avaliação de Riscos da Autoridade Bancária Europeia relativo a 2025 mostra que menos de 10% dos portugueses e apenas 5% dos italianos recorrem à família para obter crédito
08 Dez 2025 - 12:15
4 min leitura
Foto: Unsplash/Andre Taissin
Mais recentes
- Banco de Portugal pede aos cidadãos que mantenham uma reserva de dinheiro físico em casa
- Catarina Castro entra no Conselho Executivo da Mare Nostrum funds
- Multas até 25 mil euros para prestadores cripto que escondam informações ao Fisco
- Projetos do PCP e do Chega sobre o “Cartel da Banca” aprovados no Parlamento
- Banco do Brasil entre os participantes finais do 7.º Portugal FinLab
- Ministro das Finanças francês quer mais ‘stablecoins’ indexadas ao euro
Foto: Unsplash/Andre Taissin
O Relatório de Avaliação de Riscos da Autoridade Bancária Europeia (EBA), divulgado na semana passada, confirmou que os bancos da União Europeia (UE) e do Espaço Económico Europeu (EEE) — que inclui também Islândia, Liechtenstein e Noruega — mantêm uma situação financeira sólida em termos de capital, liquidez, rentabilidade e qualidade dos ativos. No entanto, a EBA apelou à necessidade de vigilância contínua, uma vez que persistem a incerteza geopolítica, a volatilidade do mercado e o aumento dos riscos operacionais.
O documento foi publicado em conjunto com o exercício de transparência da UE de 2025, que forneceu dados detalhados e comparáveis para 119 bancos em 25 países da UE e do EEE. Entre os dados recolhidos estão informações relativas ao acesso aos serviços financeiros, medidas com base em três indicadores principais: a percentagem de pessoas com 15 ou mais anos que possuem conta num banco ou noutra instituição financeira; aquelas que declaram possuir um cartão de débito ou de crédito; e aquelas que recorreram a empréstimos junto de familiares, parentes ou amigos no último ano.
Portugal aparece abaixo da média europeia no que se refere a pessoas que têm conta bancária e cartões de crédito e débito. No que diz respeito a pedir dinheiro emprestado a amigos ou familiares, o nosso país encontra-se no penúltimo lugar, logo atrás de Itália. Efetivamente, apenas 5% dos italianos recorrem a amigos ou familiares para obter crédito, enquanto em Portugal a percentagem é de 9%. É na Bulgária (30%), Grécia (26%) e Roménia (26%) que este hábito é mais comum.
De acordo com a EBA, “um valor mais elevado pode indicar que menos pessoas têm acesso a empréstimos de instituições financeiras e, por isso, recorrem a familiares, parentes ou amigos. Um valor elevado pode também indicar que os custos de financiamento aumentaram, tornando menos acessível a utilização de serviços financeiros. Em 2021, em média, 15% das pessoas pediram dinheiro emprestado a familiares, parentes ou amigos na UE/EEE, com mais de 25% na Bulgária, Grécia e Roménia”.
Relativamente à posse de conta bancária, os dados do relatório, referentes a 2024, mostram que, em média, 94% das pessoas na UE/EEE tinham uma conta bancária. Portugal fica abaixo da média, com cerca de 90%. Na Roménia, Bulgária, Itália, Polónia, Grécia e Hungria a percentagem é inferior a 90%.
Nos países nórdicos, Islândia, Finlândia e Áustria, o grau de bancarização é de 100%, enquanto em França, nos Países Baixos e na Lituânia ronda os 98%. Segundo a EBA, quanto mais elevado o valor, maior a proporção da população adulta com acesso a estes serviços de pagamento.
Em 2024, em média, 90% das pessoas com 15 ou mais anos possuíam um cartão de débito ou de crédito nos Estados-Membros da UE/EEE, com valores próximos dos 100% em muitos países do norte da região e abaixo de 70% apenas na Roménia. Em Portugal, a percentagem situou-se nos 86%.
A EBA considera que a sólida posição de capital dos bancos é impulsionada por uma rentabilidade robusta. Apesar da queda na receita líquida de juros, os bancos mantiveram altos lucros graças à resiliência das receitas de tarifas e comissões e ao controlo de custos. Com a eficiência de custos como prioridade estratégica, a automação e a digitalização desempenham um papel cada vez mais importante.
“Os índices de liquidez permanecem bem acima dos requisitos regulatórios, mas as reservas migraram para ativos soberanos, aumentando a sensibilidade à volatilidade do mercado. Alguns bancos podem enfrentar riscos de financiamento e liquidez em moeda estrangeira, especialmente em dólares americanos”, alerta o relatório, que acrescenta que “o crescente interesse em stablecoins pode afetar a gestão de risco de financiamento e liquidez dos bancos a longo prazo”.
Mais recentes
- Banco de Portugal pede aos cidadãos que mantenham uma reserva de dinheiro físico em casa
- Catarina Castro entra no Conselho Executivo da Mare Nostrum funds
- Multas até 25 mil euros para prestadores cripto que escondam informações ao Fisco
- Projetos do PCP e do Chega sobre o “Cartel da Banca” aprovados no Parlamento
- Banco do Brasil entre os participantes finais do 7.º Portugal FinLab
- Ministro das Finanças francês quer mais ‘stablecoins’ indexadas ao euro