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Recessão económica à vista, segundo o Fórum Económico Mundial

Relatório para 2026 mostra que o confronto geoeconómico é o principal risco de desencadear uma crise global.

15 Jan 2026 - 15:23

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Comércio Mundial/Fonte: Freepick

Comércio Mundial/Fonte: Freepick

O relatório de riscos globais para 2026 do Fórum Económico Mundial, divulgado esta semana, revela que o confronto geoeconómico é uma das principais preocupações dos entrevistados e foi apontado como o risco com maior probabilidade de desencadear uma crise global significativa em 2026 por 18% dos inquiridos, subindo duas posições face ao ano passado. Segue-se o conflito armado estatal, selecionado por 14% dos entrevistados.

Os riscos económicos, considerados em conjunto, apresentam os maiores aumentos de classificação nos próximos dois anos, embora partam de posições relativamente baixas em 2025. A recessão económica e a inflação subiram oito posições, ocupando, respetivamente, o 11.º e o 21.º lugar, com uma subida semelhante para o estouro da bolha de ativos, que subiu sete posições, para o 18.º lugar.

A recessão económica registou um dos maiores aumentos na pontuação de gravidade em comparação com os resultados do ano passado, apenas atrás do confronto geoeconómico. Entre os fatores que alimentam os receios de recessão destacam-se o aumento das dívidas soberanas, a existência de uma “bolha” bolsista relacionada com empresas do setor da Inteligência Artificial (IA) e uma possível subida da inflação.

Segundo o relatório: “A dívida global total (governos e setor privado) situou-se em 251 biliões de dólares, ou 235% do PIB, em 2024, e os níveis de endividamento continuam a aumentar de forma consistente, tanto nas economias avançadas como nas economias emergentes e em desenvolvimento. Muitos governos enfrentam dificuldades em controlar os seus défices orçamentais numa era em que as taxas de juro globais subiram desde 2022, após mínimos históricos de várias décadas, enquanto as pressões sobre a despesa aumentaram.”

“Com os custos do serviço da dívida a tornarem-se significativamente mais elevados, os governos são obrigados a fazer concessões cada vez mais dolorosas em áreas-chave da despesa ou a ponderar novas abordagens em matéria de tributação”, acrescenta o documento.

O Fórum especifica ainda que “nos próximos dois anos haverá um elevado volume de dívida a refinanciar a nível global. Quase 45% da dívida soberana dos países da OCDE vence entre 2025 e 2027, em parte devido à emissão significativa de nova dívida durante a pandemia em 2020–2021. Para além desta necessidade considerável de refinanciamento da dívida soberana, os grandes défices fiscais irão exigir uma emissão adicional substancial de dívida.”

Existe também uma preocupação generalizada com os preços elevados das ações das maiores empresas de tecnologia. Em 2025, registaram-se períodos de interesse frenético por parte dos investidores, não só em ações relacionadas com a IA, mas também em setores como o nuclear, quântico ou terras raras.

O relatório refere que “um aumento acentuado nos preços dos metais preciosos suscitou igualmente preocupações sobre uma possível atividade especulativa nesse mercado. Alguns destes preços estabilizaram ou sofreram correções desde então, mas as preocupações sobre mercados sobrevalorizados persistem.”

Assim, caso se confirmem “as previsões de uma ruptura de bolha de ativos, os impactos potenciais podem ser significativos. Os investidores institucionais e de retalho estão fortemente expostos aos mercados acionistas norte-americanos em termos históricos, pelo que os impactos potenciais de um crash poderiam ser graves para a economia global; 85% dos principais economistas mundiais, em setembro de 2025, acreditam que um choque financeiro teria efeitos sistémicos de grande alcance.”

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), projeta-se que a inflação global caia para 4,2% em 2025 e para 3,7% em 2026, embora se preveja inflação acima da meta nos Estados Unidos e controlada na maioria dos outros países.

No curto prazo, espera-se que a inflação se mantenha, em grande medida, sob controlo, embora estes valores escondam uma crise aguda do custo de vida em muitos países, na sequência do aumento significativo da inflação global em 2021–2022.

Vários fatores podem agravar as perspetivas inflacionistas. O aumento dos preços dos recursos naturais, caso se intensifiquem confrontos geoeconómicos, é motivo de preocupação. Além disso, não se devem subestimar as pressões inflacionistas associadas a tarifas mais elevadas. Tarifas amplas e sustentadas poderiam gerar pressões generalizadas sobre a inflação, particularmente nos Estados Unidos e em economias estreitamente ligadas, como Canadá e México.

À medida que os governos procuram formas de estimular o crescimento e gerir o crescente peso do serviço da dívida, alguns poderão também aumentar a pressão sobre os bancos centrais para adotarem políticas monetárias mais acomodatícias. A independência dos bancos centrais poderá, assim, ficar ainda mais enfraquecida.

Neste cenário, o Fórum considera que “com considerações políticas e de segurança nacional a dominar a formulação de políticas económicas, os bancos centrais poderiam ver o seu papel a deslocar-se de um foco restrito na meta de inflação (e, nalguns casos, na garantia da estabilidade do mercado laboral) para a prioridade de financiar o governo. Isto está associado a riscos significativos, uma vez que a independência dos bancos centrais está correlacionada com melhores resultados económicos, incluindo a redução sustentada da inflação a longo prazo.”

Numa das hipóteses, as tensões entre governos e bancos centrais aumentariam. Noutro cenário, caso os bancos centrais capitulem, a geração atual de participantes do mercado financeiro – habituada a um mundo com bancos centrais independentes, especialmente em economias avançadas – teria de recalibrar a sua percepção sobre a política monetária, abalando a confiança e os fundamentos económicos.

Tal mudança estrutural estaria provavelmente associada a períodos de volatilidade financeira, à medida que os participantes do mercado ajustam as suas expectativas face à alteração do quadro de políticas. Ao longo do tempo, a provável busca pela monetização da dívida por bancos centrais mais dependentes politicamente aumentaria o risco de inflação sustentada, corroendo os rendimentos reais e conduzindo a maior desigualdade e polarização social.

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