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Saída de bancos europeus de África criou oportunidades para banca regional
Saída dos bancos europeus originou descidas em 'ratings', mas Fitch considera que subsidiárias africanas se mantiveram resilientes, em geral.
30 Set 2026 - 09:54
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james wiseman vYGR3b naPA unsplash
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A Fitch Ratings considera que os bancos africanos têm reagido bem à saída de vários bancos europeus do continente nos últimos anos, criando “oportunidades significativas” para estas instituições financeiras regionais. “A retirada dos bancos europeus de África ao longo da última década está a acelerar a ascensão dos bancos pan-africanos e regionais, que estão a adquirir antigas subsidiárias europeias e a expandir as suas operações transfronteiriças”, escreve a Fitch Ratings numa análise ao setor da banca em África.
Esta transição, lê-se no relatório enviado aos clientes, e a que a Lusa teve acesso, “cria oportunidades de crescimento significativas, uma vez que os bancos regionais tiram partido do seu profundo conhecimento da dinâmica dos setores locais e dos ambientes empresariais, ao mesmo tempo que utilizam as suas redes regionais para impulsionar a expansão e apoiar o crescimento” na região.
No entanto, acrescentam, esta consolidação “também introduz novos riscos, uma vez que as instituições sucessoras podem enfrentar uma maior exposição a ambientes operacionais desafiantes e um acesso mais limitado ao financiamento em moeda forte”.
A redução substancial da presença dos bancos europeus em África marcou uma mudança estrutural no panorama financeiro do continente, na sequência da introdução de regulamentações mais rigorosas sobre o capital, custos de ‘compliance’ mais elevados e redução do lucro na região, escreve a Fitch Ratings.
Esta retirada, realça agência de notação financeira, é particularmente relevante no caso dos grandes grupos bancários franceses, como o Crédit Agricole, Société Générale e BNP Paribas.
O corte do ‘cordão umbilical’ com os acionistas europeus levou a algumas descidas do ‘rating’ destas entidades devido à falta de apoio financeiro da casa-mãe, mas a Fitch considera que, ainda assim, “os perfis de crédito autónomos destas subsidiárias têm-se mantido, em geral, resilientes, apoiados por padrões de governação e práticas de gestão de risco mantidos”.
A Fitch espera que a presença europeia em África se desloque cada vez mais para modelos baseados em parcerias, incluindo cooperação em matéria de financiamento comercial e acordos de partilha de risco, permitindo uma presença contínua nos mercados africanos, mas reduzindo os encargos de capital e com as regras de ‘compliance’, ou seja, conformidade com a regulamentação do país de origem do detentor do capital.
“A regionalização em curso do setor bancário africano deverá reformular a concorrência, aprofundar a inclusão financeira e acelerar o crescimento do crédito em todo o continente”, concluem os analistas da Fitch.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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