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S&P deve manter Portugal em ‘A’, mas pode mudar a perspetiva
Os analistas contactados notam a incerteza reforçada pelas tarifas e Portugal não escapa. A redução da dívida abrandará e o crescimento moderará, exigindo evidências adicionais para uma melhoria no 'rating'.
28 Ago 2025 - 09:32
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A Standard & Poor’s (S&P) é a próxima agência de notação financeira a avaliar o ‘rating’ de Portugal e os analistas contactados pela agência Lusa apontam para uma manutenção da classificação, enquanto a perspetiva poderá passar para estável. “O cenário base é manutenção do rating em ‘A'”, sinalizou Nuno Mello, analista da Xtb, à Lusa, acrescentando que a S&P acabou de elevar o rating de Portugal de “A-” para “A” no dia 28 de fevereiro, mantendo a perspetiva Positiva e “reconhecendo como motores a desalavancagem externa e a trajetória de dívida pública em queda”.
No entanto, a agência de notação financeira “também sinalizou que a redução da dívida deverá abrandar entre 2025-2028 e que o crescimento tenderá a moderar – o que normalmente leva a agência a observar por mais tempo antes de dar o passo seguinte”. Desta forma, uma subida do ‘rating’ “exigiria evidências adicionais e sustentadas: superávites primários recorrentes, queda mais rápida da dívida/PIB e resiliência do crescimento face a choques externos”. Como o quadro macro europeu “continua moderado”, “a decisão mais prudente será a manutenção do ‘rating'”, notou o analista.
Esta visão é partilhada por Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, que apontou à Lusa que “as tarifas alteraram a dinâmica do comércio global, introduzindo incerteza e custos acrescidos”. O impacto efetivo das tarifas impostas pelos EUA “apenas será visível nos próximos meses, o que levou a uma revisão em baixa das perspetivas de crescimento, tanto a nível global como em Portugal”.
Neste cenário, o economista acredita que a S&P deverá manter o ‘rating’ de Portugal, mas rever a perspetiva para estável, já que “o país continua a reduzir o rácio da dívida pública e a preservar a disciplina orçamental”, mas “é essencial reforçar o crescimento económico, dinamizar o turismo e adaptar a economia aos novos desafios que surgem diariamente”.
Já Nuno Mello considera que o mais provável é a manutenção da perspetiva Positivo, se não surgir nenhuma “surpresa negativa”.
Em fevereiro, a S&P decidiu subir o ‘rating’ de Portugal, de ‘A-‘ para ‘A’. Portugal estava no patamar de ‘A-‘ desde março de 2024, quando a S&P subiu a classificação de ‘BBB+’ para ‘A-‘, levando o país, treze anos depois, a estar entre os níveis ‘A’ de todas as principais agências.
O ‘rating’ é uma avaliação atribuída pelas agências de notação financeira, com grande impacto para o financiamento dos países e das empresas, uma vez que avalia o risco de crédito.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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