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Teixeira dos Santos diz que foi ideia sua a nomeação de Vara para a CGD

Ex-governante contrariou o testemunho de Luís Campos e Cunha em novembro de 2025 onde referiu que foi Sócrates a insistir na nomeação para o banco público

17 Set 2026 - 16:56

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Caixa Geral de Depósitos | Foto: Rigby/JornalPT50

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Caixa Geral de Depósitos | Foto: Rigby/JornalPT50

Um dos ministros das Finanças de José Sócrates garantiu esta quinta-feira que nomear Armando Vara como administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi uma escolha sua e não do antigo primeiro-ministro, contradizendo o antecessor e o Ministério Público.

“A escolha foi minha e comuniquei-a” [ao primeiro-ministro], testemunhou no julgamento do processo Operação Marquês, em Lisboa, Fernando Teixeira dos Santos, que sucedeu, em julho de 2005, a Luís Campos e Cunha na pasta das Finanças, no executivo de José Sócrates, que esteve em funções entre março de 2005 e junho de 2011.

Na acusação, datada de 2017, o Ministério Público (MP) alega que José Sócrates e Armando Vara, nomeado para a administração da CGD no final de 2005, foram subornados num total de dois milhões de euros por dois investidores do ‘resort’ algarvio de Vale do Lobo para beneficiarem o empreendimento.

Em novembro de 2025, Luís Campos e Cunha, ministro entre março e julho de 2005, assegurou, ao testemunhar no julgamento, que José Sócrates insistiu “desde o início” para que Armando Vara fosse nomeado para a administração do banco público, precisando que a intenção seria que este fosse vice-presidente e Carlos Santos Ferreira presidente.

Questionado esta quinta-feira pelo MP sobre se é uma “enorme coincidência” ter-se lembrado da mesma pessoa que o antecessor indicara como tendo sido recomendada por José Sócrates, Fernando Teixeira dos Santos disse não saber.

Segundo o ex-governante, a decisão de mudar a administração da CGD visou pôr fim a uma situação em que esta se encontrava pública e internamente “muito fragilizada”, tendo a escolha de Armando Vara sido baseada na sua competência.

“Para mim, o que era relevante era ter alguém que era da Caixa, que era bem visto pelo trabalho que estava a desenvolver [num cargo de direção no banco público]“, disse.

José Sócrates, de 69 anos e, à data, secretário-geral do PS, responde, entre outros crimes, por três crimes de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e Vale do Lobo.

Armando Vara, de 72 anos, é outro dos 21 arguidos no processo, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que lhes são imputados.

O julgamento decorre desde 3 de julho de 2025, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, e os alegados crimes terão sido praticados entre 2005 e 2014.

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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