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3 min leitura

Uma boa oportunidade

por Cristina Dias Neves, Diretora do Jornal PT50

28 Mar 2026 - 08:30

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Pode ter sido tanto o frenesim dos últimos dias que, em Portugal, poucos se deram conta do interesse do gigante latino-americano Nubank na compra do Banco Caixa Geral – Brasil, a pequena operação do Grupo Caixa Geral de Depósitos. A este propósito, sugiro a leitura do artigo do jornalista Luis Almeida: “‘Fintech’ mais valiosa da América Latina: Nubank é uma das interessadas no banco brasileiro da CGD”.

Como já é sabido, esta não é a primeira vez que a Caixa tenta vender a sua operação brasileira, essencialmente dedicada à banca de investimento e de empresas, com uma dimensão muito reduzida, mesmo para o mercado português. Com cerca de 18 milhões de euros de lucros em 2025 e 50 milhões de capital, compara-se com quase dois mil milhões de euros de lucros da casa-mãe, a Caixa Geral de Depósitos, e 11 mil milhões de capital. A operação é tão pequena que um administrador da CGD, Francisco Cary, afirmou à imprensa no final do ano passado: “Se déssemos o banco, não nos faria diferença nenhuma, mas seria um mau negócio”. Isto mostra que a sua venda não é determinante face à dimensão do banco que gere.

Se não é uma operação determinante para a Caixa, nem um assunto digno de grande nota para o sistema financeiro português, a novidade é o interesse de um banco do porte do Nubank na pequena operação brasileira. E isto deve-se ao facto de o Nubank precisar de uma licença bancária para operar plenamente e designar-se oficialmente como “banco” no Brasil. Licença que poderá obter se adquirir a Caixa-Brasil.

O que realmente chama a atenção não é o negócio em si, mas o que ele representa. Embora se possa olhar com algum cinismo para as comparações entre o número de clientes de neobancos e dos bancos tradicionais – clientes não equivalem a ativos, passivos ou capital – é inegável a importância deste tipo de movimentos.

A NU Holding, dona do Nubank, tem atualmente 130 milhões de clientes, contra 180 milhões do Grupo Santander, para efeito de comparação com um banco global. Mas, apesar de ter ativos e passivos 25 vezes inferiores, consegue – com apenas um décimo do capital do Santander – lucrar um terço do que o gigante espanhol, duplicando o seu ROE: 30% do Nubank contra 16% do Santander, um dos melhores entre os bancos europeus.

Tudo isto mostra que não é de estranhar que os bancos tradicionais estejam de cintos de segurança apertados perante o que vem aí. Olhando para a dinâmica do Nubank ou da Revolut na Europa – ambas com ambições globais, fortes estratégias de captação de clientes, uso de blockchain e inteligência artificial – os desafios do setor bancário são enormes. Mas, como sabemos, grandes desafios trazem também grandes oportunidades. Talvez a nossa Caixa, por exemplo, tenha finalmente conseguido encontrar uma excelente oportunidade para vender o seu banco.

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