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União da Poupança e dos Investimentos é pressuposto fundamental para tornar o euro uma moeda verdadeiramente global
O Banco Central Europeu publicou a 25.ª revisão anual do papel internacional da moeda única. As conclusões não são animadoras: o dólar continua a dominar o sistema financeiro mundial e cabe aos decisores políticos europeus alterar esta realidade
02 Jun 2026 - 12:01
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Foto: Adobe Stock/Claudio Divizia
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Foto: Adobe Stock/Claudio Divizia
Trata-se da 25.ª revisão anual do papel internacional do euro realizada pelo Banco Central Europeu (BCE). No documento publicado nesta terça-feira, o BCE refere que o «papel internacional do euro aumentou moderadamente em 2025, reforçando a sua posição como a segunda moeda mais importante do mundo. A quota do euro num vasto conjunto de indicadores de utilização internacional subiu para cerca de 20%, dando continuidade a uma tendência de crescimento gradual, mas constante, observada desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014».
Contudo, para que a moeda europeia se torne uma verdadeira moeda global, é necessário que a zona euro desenvolva «mercados de capitais mais profundos e líquidos». «É fundamental dar passos concretos rumo à conclusão da União da Poupança e dos Investimentos, seguindo um calendário ambicioso», refere o BCE, sublinhando que «o financiamento conjunto de bens públicos contribuiria para a criação de um ativo seguro e líquido assente em dívida pública da União Europeia. Preservar a confiança dos investidores nas instituições e políticas que sustentam o euro, nomeadamente através da defesa do Estado de direito, continua a ser crucial para a atratividade global da moeda».
Segundo o BCE, surgem, ao mesmo tempo, «sinais de fragilidade». «Os bancos centrais continuaram a aumentar as suas reservas de ouro num contexto de persistentes tensões geopolíticas, enquanto alguns países têm vindo a desenvolver sistemas alternativos de pagamentos transfronteiriços, incluindo soluções baseadas em tecnologias digitais. Estas tendências evidenciam uma crescente fragmentação do sistema monetário internacional.»
«Existe uma oportunidade para o euro reforçar a sua atratividade global, desde que os decisores políticos europeus criem as condições necessárias e transformem as palavras em ações», afirmou a Presidente do BCE, Christine Lagarde. «Para que isso aconteça, os três pilares que sustentam o potencial global do euro — resiliência económica, integridade jurídica e institucional e credibilidade geopolítica — têm de ser reforçados.»
As alterações no panorama geopolítico mundial reforçam a importância de um papel internacional mais forte para o euro. Existe uma oportunidade para a moeda única aumentar a sua relevância global, desde que os responsáveis políticos europeus criem as condições necessárias e traduzam os seus compromissos em medidas concretas. Para tal, os três pilares que sustentam o potencial internacional do euro — resiliência económica, integridade jurídica e institucional e credibilidade geopolítica — devem ser fortalecidos.
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