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Warsh: “Se alguém pensa que a Fed deixa o objetivo dos 2% de inflação por alcançar, está enganado”
Os mercados mundiais aguardavam com expectativa as palavras do presidente da Reserva Federal em Sintra
01 Jul 2026 - 17:16
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Kevin Warsh presidente da FEDFoto BCE
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Kevin Warsh presidente da FEDFoto BCE
“Se alguém pensa que a Fed deixa o objetivo dos 2% de inflação por alcançar, está enganado”. Com estas palavras, Kevin Warsh, recém-nomeado presidente da Reserva Federal norte-americana, em substituição de Jerome Powell, deixou bem claro que a independência do banco central dos Estados Unidos é para manter. E, se dúvidas tivessem restado, Warsh foi perentório: “Somos um banco independente e não vamos ver alterações neste domínio”.
No painel sobre política monetária que juntou Christine Lagarde (BCE), Kevin Warsh (Fed), Andrew Bailey (Banco de Inglaterra) e Tiff Macklem (Banco do Canadá), no último dia do Fórum do Banco Central Europeu (BCE) em Sintra, o responsável da Fed explicou o que está a acontecer com a economia norte-americana.
“Estivemos expostos a uma série de choques. No caso dos Estados Unidos, o choque da Inteligência Artificial (IA) tem levado a um ‘boom’ das despesas de investimento, que pode contagiar diversos tipos de bens, provocando inflação. Perante isso, estamos empenhados em garantir a estabilidade dos preços”, disse Warsh, acrescentando: “O choque da IA está a provocar muito investimento e quem investe está convicto de que a procura vai crescer… mas, se isso não acontecer, então haverá implicações para a política monetária”.
Em relação ao balanço da Fed, que publicamente Warsh considerou ser demasiado pesado, o novo presidente adiantou que formou uma equipa especial para estudar o balanço do banco central.
Tal como Lagarde afirmou no discurso de abertura do Fórum do BCE em Sintra, também Kevin Warsh referiu que “as taxas de juro têm de ser o instrumento privilegiado da política monetária. Esta transmite-se rapidamente aos créditos hipotecários e ao crédito ao consumo”.
Em relação aos principais riscos identificados, o presidente da Fed referiu que “estamos a assistir a um crescimento muito grande de ‘hedge funds’ que apostam em dívida soberana, mas muito dessa aposta está a ser feita através de alavancagem financeira”, acrescentando que “o mercado tem capacidade para ver os riscos do dia a dia, mas tem mais dificuldade em identificar os riscos sistémicos”.
Warsh está convicto de que “daqui a nove ou 12 meses vamos utilizar uma nova tecnologia para perceber o que está a acontecer na economia real, o que nos vai permitir tomar as melhores decisões”, acrescentando que “a política económica utiliza indicadores históricos; precisamos de informações que nos digam o que está a acontecer agora na economia real”.
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