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Está identificado o maior inimigo dos bancos centrais: as previsões económicas

No painel mais importante do Fórum do Banco Central Europeu em Sintra, Christine Lagarde, Kevin Warsh, Andrew Bailey e Tiff Macklem chegaram a um consenso: a política monetária não pode ser feita com base em previsões em tempos de volatilidade

01 Jul 2026 - 16:43

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Painel dos governadores dos bancos centrais/Foto: BCE

Painel dos governadores dos bancos centrais/Foto: BCE

Está definida uma nova filosofia para determinar a política monetária. Esta deve ser conduzida tendo por base os dados mais recentes, enquadrados nos cenários mais prováveis (que serão necessariamente construídos com a ajuda da Inteligência Artificial). O tempo das previsões económicas como guia das decisões dos bancos centrais acabou. Esta foi uma das principais conclusões do mais importante painel do Fórum do Banco Central Europeu (BCE), que termina nesta quarta-feira em Sintra.

Juntos, os governadores do Banco Central Europeu (Christine Lagarde), da Reserva Federal norte-americana (Kevin Warsh), do Banco de Inglaterra (Andrew Bailey) e do Banco do Canadá (Tiff Macklem) discutiram os novos fundamentos da política monetária, o combate à inflação e a influência da Inteligência Artificial (IA) na economia mundial.

“Decidimos há muito tempo não fazer mais previsões”, afirmou Christine Lagarde esta quarta-feira no Fórum do BCE em Sintra, acrescentando: “Se tenho algum arrependimento, foi o de ter feito previsões económicas”.

Segundo a presidente do BCE, “o que fazemos agora é informar todos os agentes de mercado sobre quais são as circunstâncias que definem a nossa política monetária. Aquilo que eu considero não serem previsões, mas sim um enquadramento das decisões tomadas”.

Lagarde recordou o processo decisório que levou à subida das taxas de juro em 25 pontos percentuais no passado dia 11 de junho. “Vimos os indicadores da inflação, incluindo a inflação subjacente, considerámos os riscos associados e analisámos os efeitos de transmissão das decisões de política monetária que íamos tomar. Tudo isso foi tido em consideração e tudo isso justificou a decisão (unânime) que tomámos”.

A presidente do BCE chamou a atenção para a “velocidade com que as coisas mudam (claramente influenciada pela IA). Temos de estar abertos a novas formas de pensar e temos de criar novas ferramentas que nos ajudem a decidir corretamente”. E deu um exemplo: “Vejam, por exemplo, a rapidez com que o preço do petróleo desceu para os 72 dólares quando estava nos 120 dólares em março”.

Já o presidente da Reserva Federal, recém-nomeado por Trump, afirmou: “Estamos comprometidos com a manutenção da estabilidade dos preços”, acrescentando: “As reformas não se fazem no curto prazo. Vamos traçar um novo rumo para tomarmos melhores decisões”.

Kevin Warsh afirmou: “Trabalho neste setor há 15 anos e ainda tenho as cicatrizes da última crise financeira (2008). Na Fed levamos os riscos muito a sério. Todas as minhas atenções estão focadas na política monetária. Este é um momento de grandes oportunidades para a Fed. Vamos garantir a estabilidade dos preços e o crescimento potencial da economia norte-americana está em alta. Os indicadores dos últimos quatro trimestres dão-nos algumas razões para estarmos otimistas”.

Segundo o presidente da Fed, “os mercados financeiros e a economia real funcionam melhor quando reduzimos a volatilidade e olhamos para a economia real”, acrescentando: “Estamos a receber muita informação durante estes dias e teremos uma reunião dentro de quatro semanas”.

Para aquele responsável, “a volatilidade está a baixar, a inflação está a baixar. Este é o momento para pensar no que estamos a fazer. Não duvido de que, daqui a 12 meses, estaremos melhor do que estamos agora”.

Também o governador do Banco de Inglaterra, Andrew Bailey, considerou que “as previsões são muito difíceis. Temos de pensar muito bem nos objetivos que determinamos”. Para aquele responsável, “no caso do subprime (2008) não conseguimos detetar os sinais a tempo. O que pretendemos identificar agora é se existe algum risco com capacidade para desencadear uma crise financeira global”.

Já o governador do Banco do Canadá considerou que “todos estamos a enfrentar choques semelhantes, mas todos partimos de realidades diferentes e temos diferentes exposições a estes choques”.

“Tal como acontece no Reino Unido, a economia do Canadá está a crescer a um ritmo fraco e a inflação está muito acima dos objetivos (3,2% em maio). Temos um dilema na política monetária: se subirmos as taxas de juro, vamos enfraquecer ainda mais a economia. Se cortarmos as taxas, existe o risco de enfraquecer ainda mais a economia”, referiu Tiff Macklem.

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