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70% dos bancos vão aumentar investimento em IA ao mesmo tempo que sentem pressão dos acionistas para demonstrar retorno
Dos 70% de bancos que confirmam mais investimento em IA, apenas 38% indicam que este será superior a 20%. 71% dos executivos bancários preferem aguardar por mais "clareza" no setor.
09 Abr 2026 - 13:14
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A Inteligência Artificial (IA) está a enraizar-se na sociedade e a banca não é exceção. As instituições financeiras já incorporaram esta tecnologia em vários processos e, olhando para o futuro, a larga maioria pretende continuar a investir na mesma. Segundo um estudo conduzido pela KPMG sobre o assunto, 70% dos bancos a nível global pretende investir mais em IA.
Destes 70%, adianta a consultora, apenas 38% confirma um aumento de investimento superior a 20%, enquanto os restantes preveem um gasto inferior a este valor. Mais ainda, 70% das instituições bancárias revelam enfrentar “pressão significativa” dos acionistas para demonstrar um retorno imediato sobre o investimento.
Entre os executivos bancários, a expectativa de 62% destes é de que o investimento nesta tecnologia tenha retornos entre o “moderado” a “muito elevado”. No entanto, o consenso é claro: 80% acredita que as instituições do setor que adotarem IA vão desenvolver vantagens competitivas face aos concorrentes que não adotarem o mesmo rumo.
De uma forma geral, 51% acredita que a IA está a “reconfigurar estruturalmente o seu negócio”. De acordo com os inquiridos, 85% dos colaboradores adaptaram-se rapidamente às ferramentas implementadas.
Sobre os benefícios, 66% dos bancos revela que conseguiu conter custos, mas apenas 26% experienciou aumentos de receitas e só 20% conseguiu uma contribuição elevada de receitas através de IA, indica o estudo.
No que diz respeito aos objetivos da adoção deste tipo de ferramentas, 68% quer precisamente reduzir custos e 42% pretende melhorar a experiência do cliente.
Cautela ainda é a palavra de ordem
Apesar dos benefícios detetados e da expectativa de investimento contínuo, as dificuldades e receios ainda existem. Entre os executivos bancários, 71% concordam que é prudente aguardar por maior “clareza” sobre o panorama associado a esta tecnologia antes de fazer investimentos significativos. De acordo com o estudo, as implementações de IA variam bastante, com a maioria dos líderes bancários a expressarem reservas sobre a influência que a IA pode ter nas suas operações.
“O setor enfrenta um conjunto de obstáculos que condicionam a sua capacidade de adoção em escala desta tecnologia”, alerta a KPMG em comunicado. A maior preocupação reportada pelos inquiridos prende-se com a segurança e a privacidade, indicada por 38%. A falta de conhecimento sobre as ferramentas e de formação entre os recursos humanos aparece em segundo lugar, apontada por 33%, e a dificuldade em medir o retorno do investimento em IA surge em terceiro, mencionada por 30%.
A lista inclui ainda outras preocupações, como riscos éticos, falta de investimento, resistência dos colaboradores, inconsistência ou pobreza dos dados, entre outros.
A KPMG indica “um modelo de transformação estruturado em três fases de maturidade”, divididas em ‘enable’, ‘embed’ e ‘evolve’. “A KPMG conclui que a maioria dos bancos se encontra atualmente entre as duas primeiras fases, ainda longe de uma transformação plena, mas com sinais claros de evolução”, acrescenta.
A primeira fase diz respeito à introdução da tecnologia, definição de uma estratégia e de princípios éticos e regulatórios. A segunda implica a integração da IA nos processos, produtos e fluxos de valor, com reforço das competências dos colaboradores, maximização do valor dos dados e modernização de sistemas ‘legacy’.
Por fim, o patamar do ‘evolve’, onde a KPMG não coloca a generalidade do setor, equivale a uma “transformação contínua do modelo de negócio e integração de novas tecnologias para responder a novos desafios do setor”.
Para o sucesso da transformação em IA, considera a consultora, são necessários três pilares: dados de qualidade e bem governados, “como base para decisões fiáveis”; confiança, “assegurada através de práticas robustas de ética, segurança e ‘compliance’”; e a capacitação das pessoas, com investimento em formação e redefinição de funções. “Neste contexto, a IA surge não apenas como uma tecnologia, mas como um catalisador de mudança organizacional, exigindo novos modelos de liderança, maior colaboração transversal e uma cultura orientada para a experimentação e aprendizagem contínua”, remata.
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