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BCE diz que inteligência artificial poderá aumentar a produtividade em 4% na próxima década na zona euro
IA será um fator-chave de sucesso no longo prazo e o impacto dependerá da velocidade de adoção
23 Mar 2026 - 18:31
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Inteligência Artificial/Foto: Freepick
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Inteligência Artificial/Foto: Freepick
A inteligência artificial poderá impulsionar o crescimento da produtividade na zona euro em mais de 4 pontos percentuais na próxima década, embora um choque energético prolongado possa travar esse progresso, afirmou nesta segunda-feira o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, citado pela agência Reuters.
Embora o foco imediato do BCE esteja no conflito no Médio Oriente e nas suas implicações para a inflação, Lane destacou a IA como um fator-chave de longo prazo para o sucesso económico do bloco.
Numa conferência do BCE, o responsável afirmou que o potencial retorno da adoção da IA poderá variar significativamente, dependendo da velocidade com que a tecnologia se disseminar.
Uma taxa de adoção semelhante à de inovações anteriores, como a internet, poderia proporcionar um aumento adicional da produtividade de pelo menos 1,5 pontos percentuais ao longo de 10 anos, explicou Lane. No entanto, se a adoção se mantiver no ritmo atual e abranger pelo menos metade da economia, o ganho poderá ultrapassar os 4 pontos percentuais.
“O maior impacto será alcançado se a IA impulsionar de forma significativa o ritmo da inovação, pois, em vez de apenas aumentar o nível de produtividade, poderá também elevar a taxa de crescimento potencial a longo prazo”, afirmou.
Lane alertou, contudo, que os custos persistentemente elevados da energia podem dificultar o progresso no desenvolvimento de novos modelos de IA e reduzir a taxa de adoção, dado o elevado consumo energético desta tecnologia.
A Europa parte de uma posição desfavorável, sublinhou. Apenas cerca de 3% das patentes da zona euro estão relacionadas com a IA, em comparação com 9% nos Estados Unidos.
Além disso, os residentes da zona euro pagam cerca de 250 mil milhões de euros por ano em royalties a detentores de patentes estrangeiros — sobretudo sediados nos Estados Unidos — o que evidencia a dependência tecnológica do bloco.
Lane atribuiu parte desta situação a mercados de capitais menos desenvolvidos na Europa, que, segundo afirmou, limitam o investimento necessário para impulsionar a inovação.
“Garantir um amplo acesso ao financiamento, apoiar a difusão junto das pequenas e médias empresas e investir em competências e ativos intangíveis complementares será fundamental para concretizar o potencial da IA, limitando os custos de adaptação”, concluiu.
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