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Álvaro Santos Pereira: “Ainda não estamos a investir em habitação como precisamos”
Governador apresenta Boletim Económico de outubro e está convicto de que haverá excedentes orçamentais este ano e no próximo.
07 Out 2026 - 12:18
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Foto Banco de Portugal
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“Ainda não estamos a investir em habitação como precisamos. Faltam 300 mil casas. Temos os indicadores mais reduzidos de investimento em habitação social de toda a OCDE”, afirmou Álvaro Santos Pereira na apresentação do Boletim Económico de outubro do Banco de Portugal, que se realizou esta quarta-feira, em Lisboa.
O governador reiterou “que a habitação é o principal risco interno para a nossa economia, em especial, um risco social”, acrescentando: “Não sou fiscal de obra! Mas espero que, nos próximos anos, existam dezenas de milhares de casas construídas e que os anúncios públicos que se fazem nesta matéria sejam concretizados”.
Em relação à falta de mão de obra e à subida dos preços dos materiais de construção, o governador afirmou que “não é isso que justifica construir muito pouco. Nada justifica o facto de termos taxas de investimento na habitação demasiado baixas. Gostaria que o Governo pensasse e atuasse neste sentido”.
O Banco de Portugal prevê que a economia cresça 2,3% este ano, mais 0,5 pontos percentuais face às últimas previsões, com a inflação a atingir os 3,1%.
“Não fizemos previsões orçamentais neste Boletim, mas não ficaríamos surpreendidos se tivéssemos excedentes este ano e no próximo. Mas é fundamental manter a prudência orçamental”, acrescentou Álvaro Santos Pereira.
O banco central estima que o Produto Interno Bruto (PIB) português deverá acelerar em 2026, “impulsionado pelos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), pelas medidas orçamentais e por um desempenho mais positivo das exportações”.
Segundo as projeções da instituição, a composição do crescimento deverá alterar-se, “com uma redução do contributo do consumo privado e um maior contributo das exportações”.
Já o rendimento real das famílias “deverá abrandar, refletindo a desaceleração das remunerações e, em 2026, também o impacto da subida não antecipada dos preços”.
A previsão do banco central é que a inflação atinja os 3,1% este ano, abrandando para 2,4% em 2027 e 2,0% em 2028.
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