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Banco de Portugal e Banco de Espanha vão apresentar recomendações conjuntas para ultrapassar barreiras entre as duas economias

Governadores assinam artigo conjunto e revelam que os supervisores ibéricos têm mantido reuniões regulares para analisar questões de estabilidade financeira

05 Jun 2026 - 11:26

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Audição 17/9 parlamento, Álvaro Santo Pereira

Audição 17/9 parlamento, Álvaro Santo Pereira

Trata-se de uma iniciativa inédita. Os governadores do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, e do Banco de Espanha, José Luis Escrivá, assinam nesta sexta-feira um artigo de opinião conjunto publicado no diário espanhol El País, no qual revelam ter realizado reuniões regulares para analisar a integração das duas economias.

Sob o título “Espanha–Portugal: um eixo estratégico para a integração entre a Europa e a América Latina”, o artigo refere que «tanto ao nível europeu como na relação com a América Latina, o Banco de Espanha e o Banco de Portugal pretendem desempenhar um papel mais relevante e impulsionar uma agenda comum. Para esse efeito, organizámos nos últimos meses reuniões regulares de alto nível — a mais recente teve lugar esta sexta-feira — nas quais analisámos a integração das nossas economias e a forma de a tornar mais vantajosa e eficiente para os cidadãos».

As duas instituições sublinham que «no comércio, Espanha e Portugal aprofundaram consideravelmente as suas relações nas últimas décadas, embora ainda exista uma margem significativa para progressos adicionais, sobretudo no setor dos serviços. Há ainda caminho a percorrer para alcançar uma maior mobilidade laboral e um maior investimento produtivo e financeiro transfronteiriço».

«No domínio da energia, Espanha e Portugal também alcançaram um elevado grau de complementaridade. Uma vez concluída esta análise, estaremos em condições de apresentar recomendações destinadas a identificar e ultrapassar as barreiras estruturais à prosperidade partilhada. Trata-se de uma abordagem que pode igualmente ser replicada entre a Península Ibérica e a América Latina, ajudando-nos a identificar e eliminar os obstáculos a uma integração mais completa e vantajosa», acrescentam os dois governadores.

Álvaro Santos Pereira e José Luis Escrivá referem ainda que «os nossos intercâmbios estendem-se também à estabilidade financeira. Partilhámos, por exemplo, experiências na aplicação de medidas baseadas na capacidade de pagamento dos mutuários no crédito à habitação e no crédito ao consumo, em Portugal, bem como na calibração da reserva contracíclica de fundos próprios, em Espanha».

Relativamente à América Latina, os dois responsáveis defendem que «estes laços profundos colocam Espanha e Portugal numa posição particularmente privilegiada para atuarem como pontes entre a Europa e os países latino-americanos, promovendo uma maior integração económica e financeira entre as duas regiões. Esta realidade assume especial relevância no atual contexto de elevada incerteza geopolítica, que poderá conduzir a recuos no multilateralismo e a perdas de eficiência na afetação global de recursos».

«O recente acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que cria um mercado mais integrado para 770 milhões de pessoas, constitui um exemplo convincente do importante potencial para reforçar estes laços transatlânticos», acrescentam.

Os bancos centrais de Espanha e de Portugal mantêm uma relação estreita com os países latino-americanos, assente numa longa tradição de colaboração em iniciativas bilaterais e em fóruns multilaterais, como o Centro de Estudios Monetarios Latinoamericanos (CEMLA) e a Asociación de Supervisores Bancarios de las Américas (ASBA).

«O Banco de Espanha e o Banco de Portugal estão também empenhados em promover uma maior cooperação e integração entre os sistemas financeiros da América Latina e da Europa. Se soubermos aproveitar os nossos pontos fortes, a Península Ibérica poderá tornar-se um motor desta ligação transatlântica, fomentando uma maior cooperação e integração económica, bem como a prosperidade dos nossos povos e cidadãos», conclui o artigo.

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