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Banco de Portugal pede aos cidadãos que mantenham uma reserva de dinheiro físico em casa

Apagão de 28 de abril veio demonstrar a necessidade de ter numerário. Em 2025, o supervisor reembolsou 11,3 milhões de euros em notas estragadas

17 Abr 2026 - 15:24

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Foto: Freepik

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Em atualização

O Banco de Portugal aconselha todos os cidadãos a terem em casa uma reserva de dinheiro físico. A recomendação surge na sequência da divulgação, nesta sexta-feira, do Relatório da Emissão Monetária de 2025. “É prudente que os cidadãos mantenham uma reserva de dinheiro físico, com notas e moedas de diferentes denominações, suficiente para, em caso de imprevisto, fazer face a despesas essenciais e urgentes”, refere o supervisor em comunicado.

Este conselho surge no seguimento do apagão de 28 de abril, ocasião em que o Banco de Portugal garantiu, sem interrupção, os serviços de tesouraria prestados ao sistema bancário. Nos dias subsequentes, o número de operações de levantamento realizadas em caixas automáticos aumentou, bem como o valor médio levantado, evidenciando a importância do numerário em cenários de contingência.

Luís Morais Sarmento, administrador do Banco de Portugal refere a propósito que: “a interrupção generalizada do fornecimento de eletricidade afeta terminais de pagamento eletrónico, caixas automáticos e sistemas de telecomunicações e internet. Evacuações e danos em infraestruturas locais podem levar ao encerramento ou à limitação de serviços bancários e meios de pagamento eletrónicos. Nestas circunstâncias, o numerário permite a continuidade das transações no comércio essencial (alimentação, combustíveis, farmácias) e a realização de pagamentos em locais remotos, com interrupções no fornecimento de energia elétrica ou de telecomunicações ou com infraestruturas digitais fragilizadas”.

Aquele responsável acrescenta ainda, “nestas situações, o numerário assume um papel essencial para a continuidade das transações locais. Sem prejuízo da plena confiança no regular funcionamento dos sistemas financeiros e de pagamentos, é prudente que os cidadãos detenham numerário (notas e moedas) com diversas denominações para o pagamento de despesas essenciais e urgentes, como bens alimentares, transportes e despesas de saúde, proporcionando tranquilidade e autonomia em eventuais situações de contingência”.

O relatório sobre a emissão monetária mostra ainda que, ao longo de 2025, o banco central verificou a genuinidade e a qualidade de 382 milhões de notas e 82 milhões de moedas. Manualmente, avaliou 578 mil notas e 190 mil moedas degradadas, tendo reembolsado 11,3 milhões de euros aos cidadãos que as apresentaram.

As instituições de crédito e as empresas de transporte de valores analisaram cerca de nove vezes mais notas e 24 vezes mais moedas do que o Banco de Portugal. Para garantir que estas entidades cumprem as regras de recolocação do numerário em circulação, o Banco realizou 572 inspeções.

Da destruição de notas inaptas para circulação resultaram 90 toneladas de fragmentos, na sua maioria incinerados para produção de eletricidade.

A emissão líquida de notas continuou a diminuir em Portugal: saíram do banco central 6022 milhões de euros em notas e entraram 8879 milhões. Apesar de as receitas do turismo em Portugal terem atingido valores recorde, o número de notas entrado no banco central diminuiu relativamente ao ano anterior, o que poderá estar relacionado com a utilização do numerário como reserva de valor.

A emissão líquida de moeda metálica manteve-se em crescimento. Saíram do Banco de Portugal 67 milhões de euros em moedas e entraram 35 milhões. As moedas de 1 e 2 cêntimos voltaram a ser das mais requisitadas, representando, em conjunto, 37% do total de moedas emitidas.

A contrafação de notas e moedas de euro manteve-se reduzida: foram detetadas 8839 contrafações de notas e 2657 de moedas.

Cerca de 184 mil pessoas recorreram aos serviços de tesouraria do Banco de Portugal, que analisou 853 reclamações de clientes bancários relacionadas com numerário.

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