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Banco Itaú concentra operações no Luxemburgo e quer aumentar negócios entre Europa e Brasil

O Banco Itaú passa a operar em Portugal através de uma sucursal do Itaú Europe, a empresa europeia do grupo, sediada no Luxemburgo.

15 Set 2026 - 11:16

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Foto: Unsplash

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O maior banco privado brasileiro Itaú anunciou nesta terça-feira a consolidação das suas operações europeias no Luxemburgo, numa aposta para aumentar a base de clientes e reforçar os negócios entre a Europa e o Brasil. «Estamos a fazer a ligação entre as nossas principais operações no Brasil e a nossa base de clientes europeus, o que nos vai ajudar a reforçar os fluxos de negócios com as contrapartes europeias», afirmou à Lusa o presidente executivo do Itaú Europe, Thomas Campion.

O banco está a reunir no Luxemburgo a operação integral das atividades de Corporate and Investment Banking e Global Markets do Itaú, sendo que atualmente trabalha com cerca de 350 empresas europeias e mais de 50 contas de investidores globais nos mercados de ações e rendimento fixo.

Campion salientou que a Europa é estratégica para o Itaú devido aos fluxos de investimento para o Brasil: «há muito capital internacional a ser investido no Brasil por clientes e instituições europeias. Temos assistido a entradas significativas [de capital] nas últimas décadas e isso vai continuar». «É um mercado muito atrativo em vários setores e estamos a fazer a ligação entre as nossas principais operações no Brasil, onde o banco é o principal conglomerado financeiro e a nossa base de clientes europeus, o que, obviamente, nos vai ajudar a reforçar os fluxos de negócios com as contrapartes europeias», disse, sublinhando que o continente europeu é estratégico para o banco brasileiro.

Para Thomas Campion, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que entrou em vigor a 1 de maio, poderá dar um novo impulso aos negócios entre as duas regiões, embora tenha ressalvado que ainda é difícil quantificar o impacto e determinar quando começará a ser sentido. «Não vemos por que razão não deverá ter um impacto positivo nas trocas comerciais e nos fluxos entre estas duas regiões, nomeadamente a Europa e o Brasil», disse, admitindo, contudo, ser «difícil, hoje, avaliar com precisão qual será o impacto e quando, mas deverá ser positivo, certamente».

Além das empresas e dos investidores institucionais, o Itaú, que atua na Europa há 30 anos, vê também oportunidades de crescimento na banca privada, impulsionadas pelo aumento do número de brasileiros com elevado património que se mudam para países europeus. Segundo o responsável, foi precisamente esta tendência que levou o Itaú a desenvolver serviços de aconselhamento de investimento destinados à banca privada na Europa, dirigidos nomeadamente a clientes que já mantinham uma relação com o banco no Brasil ou noutros países da América do Sul.

«Vamos continuar a assistir à mudança de clientes para a Europa e o banco está a posicionar-se para garantir que conseguimos continuar a servir estes clientes também fora da América do Sul, na Europa», detalhou.

O Itaú Europe está em funcionamento desde 1 de junho, depois de obter uma licença bancária e concluir a fusão com o anterior banco do grupo sediado em Portugal. A partir do Luxemburgo, o banco disponibiliza serviços como crédito a empresas, financiamento do comércio externo e assessoria financeira, podendo também recorrer à presença do grupo na América do Sul para apoiar empresas europeias com negócios e subsidiárias na América Latina.

Com a reorganização, o antigo banco do grupo sediado em Portugal foi incorporado no Itaú Europe, com sede no Luxemburgo, mantendo o grupo a atividade em Portugal através de uma sucursal em Lisboa. A nova organização vai juntar os negócios bancários do Itaú em Portugal e no Reino Unido, além das atividades de gestão de patrimónios que o grupo já desenvolve no hemisfério norte.

Questionado sobre a escolha do Luxemburgo, Thomas Campion apontou a estabilidade económica e política do país e a sua importância enquanto centro financeiro, destacando também a necessidade de adaptar a estrutura do banco às novas regras europeias, como a CRD VI, que reforça os requisitos aplicáveis aos bancos de países terceiros que operam na União Europeia.

«O Luxemburgo é um centro financeiro muito forte, se não mesmo um dos mais fortes do Espaço Económico Europeu. Existe também estabilidade económica e política, o que é obviamente muito importante para as instituições financeiras», afirmou.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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