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Itaú não vê caso Banco Master a abalar confiança europeia no sistema brasileiro
O CEO do Itaú Europe considera que as instituições de crédito brasileiras já demonstraram a sua solidez e confiança.
15 Set 2026 - 11:33
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O presidente executivo do Itaú Europe, Thomas Campion, disse à Lusa que o caso Banco Master não afetou a forma como as empresas europeias olham para o setor bancário brasileiro e defendeu a solidez das instituições do país. Questionado pela Lusa sobre se o caso teve impacto na perceção das empresas europeias sobre a banca brasileira, Thomas Campion evitou comentar diretamente o processo, mas respondeu negativamente.
«Não vou comentar especificamente este caso muito particular no Brasil, que, como sabe, tem sido muito discutido. A resposta curta é: não creio», afirmou, referindo-se ao caso do Banco Master, considerado a maior fraude bancária da história do Brasil. Sobre se os investidores e empresas europeias podem confiar no sistema brasileiro, o responsável do maior banco privado do Brasil respondeu: «Claro. Absolutamente».
«Penso que é importante salientar que o Brasil demonstrou, ao longo do tempo, ter instituições muito fortes», frisou, considerando que a resiliência demonstrada pelo país tem contribuído para manter a confiança dos agentes económicos europeus no mercado brasileiro. «Penso que as instituições e os clientes europeus, em geral, confiam no Brasil e estão dispostos a continuar a expandir-se no Brasil e na América do Sul em geral», afirmou o responsável do maior banco privado brasileiro, que anunciou nesta terça-feira a consolidação das suas operações europeias no Luxemburgo, numa aposta para aumentar a base de clientes e reforçar os negócios entre a Europa e o Brasil.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025, no âmbito de uma investigação relacionada com a emissão de títulos sem cobertura, transações simuladas e o possível desvio de recursos públicos. O caso ganhou dimensão política e institucional depois de as investigações chegarem a antigos responsáveis do Banco Central, políticos de diferentes quadrantes e membros do Supremo Tribunal Federal.
O antigo proprietário do banco, Daniel Vorcaro, foi detido em novembro de 2025 quando tentava deixar o Brasil num avião privado, tendo sido posteriormente libertado. Voltou a ser detido preventivamente em março deste ano.
O escândalo ganhou ainda maior dimensão depois de se saber que entidades públicas, incluindo fundos de pensões de funcionários, tinham aplicado recursos no Banco Master.
As investigações provocaram também uma crise no Supremo Tribunal Federal, depois de o juiz André Mendonça ter tornado públicas suspeitas envolvendo o também membro do STF Alexandre de Moraes, que, por sua vez, pediu uma investigação à atuação do colega na condução do processo.
As liquidações relacionadas com o conglomerado Master implicaram um valor estimado de 51,8 mil milhões de reais (cerca de 8,3 mil milhões de euros) a ressarcir pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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