4 min leitura
Bancos controlados por capital estrangeiro representam quase 70% do sistema bancário
Contas feitas, os bancos detidos ou controlados por capital estrangeiro representam 68,7% da banca, um valor que há dez anos rondava os 50%.
09 Abr 2026 - 18:25
4 min leitura
Setor bancário nacional
Mais recentes
- Bancos controlados por capital estrangeiro representam quase 70% do sistema bancário
- BdP contribui para projetos de reconstrução nos territórios afetados pelas tempestades
- Não há duas sem três: caso OPA sobre o Commerzbank ultrapasse 50%, UniCredit é obrigado a lançar oferta sobre polaco mBank
- BPI forma 4500 colaboradores em IA com apoio da 42 Portugal
- Regulador alemão alerta contra falsos negócios com ações da SpaceX de Elon Musk
- Condições do crédito à habitação pesam mais na escolha do banco em Portugal
Setor bancário nacional
Os bancos controlados por investidores estrangeiros ou em que o capital estrangeiro é preponderante representam quase 70% do sistema bancário português, quer em ativos quer em passivos, segundo cálculos feitos pela Lusa com dados da APB. As contas foram feitas a partir dos últimos balanços dos bancos disponíveis no ‘site’ da Associação Portuguesa de Bancos (APB), referentes a junho de 2025.
De acordo com os cálculos da Lusa, os bancos detidos ou controlados por capital estrangeiro (em que se destacam BCP, Santander Portugal, Novo Banco, BPI ou também Bankinter, ABANCA ou Haitong) representam cerca de 68,7% do ativo total e 69% passivo total do sistema bancário. O ativo dos bancos agrega o crédito a clientes (a principal rubrica), mas também aplicações em outros bancos e instrumentos financeiros como ações e obrigações. Já o passivo bancário inclui as responsabilidades que os bancos têm para com terceiros, desde logo os depósitos.
Estes dados mostram o reforço dos bancos de capital estrangeiro no sistema bancário português: em 2016, os bancos de capital estrangeiro representavam cerca de 50% do sistema bancário. No início de 2025, a Lusa fez as mesmas contas, com base nos dados de junho de 2024, e então o peso era superior a 60%. Hoje é perto de 70%.
Atualmente, os principais bancos a operar em Portugal são a Caixa Geral de Depósitos e o BCP.
A CGD é totalmente detida pelo Estado português, enquanto o BCP tem como principais acionistas a chinesa Fosun e a angolana Sonangol (20,45% e 19,9%, respetivamente, em final de 2025). Além de ter como principais acionistas dois grupos estrangeiros, nas restantes ações também tem vindo a descer a proporção dos acionistas de Portugal. Segundo dados do próprio BCP referente aos detentores das suas ações por geografias, no final de 2025 apenas 18,4% das ações estavam nas mãos de entidades ou pessoas de Portugal, abaixo dos 22,3% de final de 2024 e 26,2% de 2023. Em final de 2022, os acionistas de Portugal superavam os 30% (31,2%).
Ainda entre os principais bancos, o Santander Portugal é detido pelo grupo espanhol Santander, o BPI pelo grupo espanhol CaixaBank e o Novo Banco é detido em 75% pelo fundo norte-americano Lone Star.
No ano passado, foi acordada a venda do Novo Banco, e continuará na mão de estrangeiros, pois será comprado pelo grupo francês Banque Populaire et Caisse d’Epargne (BPCE). O contrato de venda da Lone Star (que detém 75% do banco) e do Estado português (detém 25%) ao BPCE deverá ser assinado no final de abril e para dia 29 está marcada uma assembeia-geral em que um dos pontos é a nomeação de três novos membros para o Conselho Geral e de Supervisão.
O Público noticiou que de saída estão Kambiz Nourbakhsh, Mark Andrew Coker e Evgeniy Kazarez. Os novos nomes não são conhecidos para já. O presidente executivo do Novo Banco, o irlandês Mark Bourke, continuará no cargo mas o grupo francês trará novos nomes para cargos de chefia. Quando se soube do acordo de compra, o presidente do grupo francês BPCE, Nicolas Nimas, teve um encontro com os trabalhadores do banco em que disse que o investimento do grupo em Portugal é de longo prazo (ao contrário do investimento da Lone Star).
Nos bancos de média dimensão destacam-se no sistema bancário o Crédito Agrícola e o Banco Montepio, ambos de capital totalmente português, e depois o Bankinter e o ABANCA, ambos espanhóis. Os dois grupos espanhóis têm vindo a reforçar a sua posição no mercado português e a indicação que dão é que querem continuar a crescer.
O ABANCA, o grupo do multimilionário Juan Carlos Escotet, comprou em 2018 a operação de retalho do Deutsche Bank em Portugal e em 2024 adquiriu o EuroBic (da angolana Isabel dos Santos).
Já o Bankinter entrou em Portugal em 2016 com a compra do negócio de retalho do Barclays em Portugal. No início deste mês de abril, o presidente do Bankinter Portugal, Alberto Ramos, disse aos jornalistas que o banco quer vir a ser o sexto maior banco em volume de negócios em cinco anos (atualmente é o oitavo), suplantando o Crédito Agrícola e o Banco Montepio.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
Mais recentes
- Bancos controlados por capital estrangeiro representam quase 70% do sistema bancário
- BdP contribui para projetos de reconstrução nos territórios afetados pelas tempestades
- Não há duas sem três: caso OPA sobre o Commerzbank ultrapasse 50%, UniCredit é obrigado a lançar oferta sobre polaco mBank
- BPI forma 4500 colaboradores em IA com apoio da 42 Portugal
- Regulador alemão alerta contra falsos negócios com ações da SpaceX de Elon Musk
- Condições do crédito à habitação pesam mais na escolha do banco em Portugal