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Bancos depositaram 3,5 mil milhões no Banco de Portugal

Reservas mínima e reservas excedentárias têm uma taxa zero. Relatório sobre a implementação da política monetária mostra que a dívida pública portuguesa predomina no balanço do supervisor

07 Mai 2026 - 15:41

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Setor bancário nacional

Setor bancário nacional

No final de 2025, os depósitos das instituições de crédito junto do Banco de Portugal ascendiam a 3,5 mil milhões de euros, dos quais 3,1 mil milhões de euros estavam afetos ao cumprimento das reservas mínimas e 440 milhões de euros (14% do total) correspondiam a reservas excedentárias. Os números constam do Relatório sobre a Implementação da Política Monetária, divulgado esta quinta-feira. Recorde-se que tanto as reservas mínimas como as reservas excedentárias são remuneradas à taxa de 0%.

No mesmo período, no conjunto da área do euro, os depósitos das instituições de crédito junto do Eurosistema atingiram 175,3 mil milhões de euros, dos quais 170 mil milhões de euros estavam afetos ao cumprimento das reservas mínimas e 5,7 mil milhões de euros (3,3% do total) correspondiam a reservas excedentárias.

Em 2025, as reservas mínimas mantiveram a tendência de crescimento observada desde 2024, invertendo a diminuição registada em 2023. A expansão dos passivos do balanço sobre os quais incidem as reservas mínimas obrigatórias foi sustentada pela recuperação gradual do crescimento dos depósitos, bem como pelo aumento da procura de depósitos de curto prazo.

Em termos de carteira de títulos, o Banco de Portugal detém no seu balanço títulos de dívida pública portuguesa, dívida de entidades supranacionais da área do euro e ainda títulos de dívida privada, nomeadamente obrigações cobertas portuguesas e francesas, estas últimas adquiridas na fase inicial dos programas de compra de ativos.

Em 2025, o montante total de títulos para fins de política monetária registados no balanço do Banco de Portugal reduziu-se em 7,3 mil milhões de euros, totalizando, no final do ano, 68 mil milhões de euros, dos quais 99% diziam respeito a títulos de dívida pública portuguesa ou supranacional, enquanto as obrigações cobertas representavam a percentagem remanescente.

No final do ano, o prazo médio ponderado de vencimento da carteira de dívida pública portuguesa situava-se entre 6,3 e 7 anos no PSPP (Programa de Compra de Ativos do Setor Público) e no PEPP (Programa de Compras de Emergência Pandémica), respetivamente. Em 2026, é expectável que a carteira de títulos para fins de política monetária se reduza em 6,9 mil milhões de euros, devido ao vencimento de títulos, mantendo a trajetória descendente nos anos seguintes.

Os títulos de dívida pública e supranacional, bem como as obrigações cobertas adquiridas pelo Banco de Portugal no âmbito dos programas de compra de ativos, estão disponíveis para empréstimo em centrais internacionais de depósito de títulos, através das plataformas da Euroclear Bank S.A. e da Clearstream Banking S.A., bem como de forma bilateral com o Banco de Portugal.

O montante de títulos emprestados em 2025 pelo Banco de Portugal atingiu uma média diária de 2,9 mil milhões de euros, valor inferior ao registado no ano anterior (-13%). Os títulos de dívida pública foram os mais procurados, representando, em média, cerca de 94% do montante total emprestado.

Apesar do impacto descendente resultante da normalização progressiva da política monetária, o balanço do Banco de Portugal aumentou 11% em 2025, atingindo os 211 mil milhões de euros. Para este aumento contribuíram a valorização do ouro em cerca de 46% e o incremento dos outros ativos não relacionados com política monetária em 45%.

O Banco de Portugal realiza anualmente um inquérito aos principais bancos nacionais sobre a atividade no mercado monetário no segundo trimestre do ano, com o objetivo de recolher informação sobre todas as transações em euros realizadas no mercado interbancário e registadas nos respetivos balanços.

O supervisor refere que o contexto de excesso de liquidez continua a marcar a atividade das instituições portuguesas no mercado monetário. Em 2025, registou-se um crescimento de 3% do montante negociado pelas instituições portuguesas. Observou-se um aumento nos segmentos com e sem garantia, bem como uma redução no segmento de derivados over-the-counter (OTC), que continua a ser o mais representativo em termos de montante total transacionado. O segmento de títulos de curto prazo registou também um crescimento relativo substancial ao longo do ano.

“Apesar do crescimento observado em 2025, o volume total transacionado permanece significativamente inferior aos níveis máximos observados antes da crise financeira. As instituições portuguesas têm pouca necessidade de procurar financiamento junto do mercado, participando esporadicamente em caso de oportunidade favorável ou para colmatar necessidades pontuais de liquidez de curto prazo. Isto resulta também do enquadramento atual da implementação da política monetária, que evoluiu para um sistema de excedente estrutural de liquidez interbancária”, refere o relatório.

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