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Bancos europeus esperam um «aperto significativo» no crédito à habitação e ao consumo no último trimestre do ano

Resultados do inquérito sobre o crédito bancário do terceiro trimestre de 2026, realizado pelo BCE, já mostram um «aperto líquido» nos critérios de concessão de crédito

27 Out 2026 - 15:08

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BCE sede | Foto ecb multimedia

BCE sede | Foto ecb multimedia

Os bancos europeus esperam um «aperto significativo» nos critérios de concessão de crédito à habitação (mais 10%) e ao consumo (mais 16%) no último trimestre do ano. Esta é uma das conclusões do Inquérito sobre o Crédito Bancário, realizado pelo Banco Central Europeu (BCE) no terceiro trimestre de 2026 e divulgado nesta terça-feira. Caso estas previsões se concretizem, serão os maiores apertos desde o terceiro trimestre de 2023.

Até setembro, os bancos esperavam um ligeiro aperto líquido dos critérios de concessão de crédito à habitação (2%), que não se concretizou, enquanto o aperto dos critérios aplicáveis ao crédito ao consumo superou as expectativas (11%).

Os bancos reportaram uma diminuição líquida da procura de empréstimos por parte das empresas no terceiro trimestre de 2026. Esta evolução contrastou com as expectativas dos bancos, que apontavam para um aumento (4%), e sucedeu ao ligeiro aumento líquido registado no segundo trimestre (3%).

A procura de crédito foi afetada sobretudo pelo nível geral das taxas de juro. A menor procura de financiamento para investimento em ativos fixos por parte das pequenas e médias empresas (PME) e a transferência para fontes alternativas de financiamento também tiveram um impacto ligeiramente negativo na procura de empréstimos.

Alguns bancos referiram que a incerteza relacionada com a evolução geopolítica e energética continua a pesar sobre a procura de crédito por parte das empresas.

A procura de crédito empresarial diminuiu em todos os principais países da zona euro. Para o quarto trimestre de 2026, os bancos esperam que a procura de empréstimos permaneça praticamente inalterada (-1%).

Em resposta a uma pergunta específica sobre a importância e o impacto da adoção da inteligência artificial (IA), vários bancos indicaram que esperam um aumento gradual, mas constante, da procura de empréstimos para financiar infraestruturas digitais, em particular centros de dados (data centers). Os bancos referiram também que os empréstimos atuais e futuros relacionados com a IA deverão destinar-se sobretudo aos fornecedores de infraestruturas, em vez de ao desenvolvimento de software ou às empresas que adotam esta tecnologia. Espera-se que esta tendência se intensifique nos próximos meses.

Os bancos reportaram uma forte diminuição líquida da procura de crédito à habitação, mais acentuada do que no trimestre anterior, enquanto a procura de crédito ao consumo registou uma ligeira descida.

No caso do crédito à habitação, a diminuição líquida reportada foi a mais acentuada desde o terceiro trimestre de 2023 e superou as expectativas dos bancos (-12%). Esta evolução foi impulsionada sobretudo pelas taxas de juro, seguindo-se a diminuição da confiança dos consumidores e a deterioração das perspetivas para o mercado imobiliário.

A procura de crédito ao consumo registou uma nova, embora ligeira, diminuição, refletindo sobretudo o nível mais elevado das taxas de juro e a menor confiança dos consumidores, bem como a redução das despesas em bens duradouros. Os bancos previam que a procura de crédito ao consumo se mantivesse estável no segundo trimestre (0%).

Para o quarto trimestre de 2026, os bancos esperam uma diminuição líquida ainda mais acentuada da procura de crédito à habitação (-36%) e ao consumo (-14%).

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