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Banco de Inglaterra investiga processos de concessão de crédito da Revolut
Supervisor emitiu uma ordem no início do ano para avaliar o lançamento de novos produtos financeiros do neobanco
27 Out 2026 - 14:20
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O Banco de Inglaterra ordenou uma revisão dos processos de aprovação de produtos da Revolut, através de uma investigação aos seus controlos internos, depois de o neobanco liderado por Nik Storonsky ter obtido uma licença bancária no Reino Unido que lhe permite conceder crédito pessoal.
Segundo fontes ligadas ao processo, citadas pelo Financial Times, a Autoridade de Regulação Prudencial (PRA, na sigla em inglês) do banco central emitiu, no início deste ano, uma ordem conhecida como «Secção 166», para examinar os riscos associados ao lançamento rápido de novos produtos financeiros da Revolut.
O pedido foi feito sensivelmente na mesma altura em que a Revolut obteve, finalmente, uma licença bancária completa, em março. O objetivo é avaliar melhor a robustez dos sistemas internos do grupo.
Em pouco mais de uma década, a Revolut cresceu até ultrapassar os 80 milhões de clientes e está avaliada em 115 mil milhões de dólares (102,6 mil milhões de euros), superando três dos quatro maiores bancos de retalho do seu mercado doméstico. A obtenção da licença bancária no Reino Unido, após vários anos de espera durante os quais a fintech procurou convencer os reguladores de que o seu rápido crescimento não representava um problema, foi considerada crucial para concretizar a ambição de expandir a sua presença para 70 países até 2030. Atualmente, a empresa opera em 40 países.
A licença permitiu também que o banco da Revolut no Reino Unido captasse depósitos e entrasse nos mercados de crédito, tradicionalmente dominados pelos bancos convencionais. A Secção 166, também conhecida como revisão por uma pessoa qualificada, obriga uma empresa regulamentada a nomear especialistas independentes para examinarem os seus sistemas e controlos internos.
O processo envolve geralmente uma investigação conduzida por uma empresa de contabilidade ou de advocacia, que culmina na elaboração de um relatório com recomendações sobre as melhorias consideradas necessárias. Este mecanismo é utilizado pelos reguladores para recolher provas. Caso sejam detetadas irregularidades, as autoridades podem recorrer aos seus poderes para impor sanções ou adotar outras medidas coercivas em resposta a eventuais violações.
Na passada segunda-feira, a Revolut anunciou os planos para disponibilizar empréstimos pessoais sem garantia, com montantes entre 2.000 e 25.000 libras (entre 2.385,5 e 29.818,8 euros).
A empresa revelou também uma parceria com a gestora de ativos Carne, que permitirá aos clientes investir em empresas privadas do setor tecnológico. No âmbito da sua rápida expansão, a Revolut adotou um modelo de negócio diversificado, que abrange a negociação de criptoativos, os pagamentos com cartão e os serviços de subscrição.
O presidente executivo (CEO), Nik Storonsky, incentiva os funcionários a agirem como «mísseis autónomos», com pouca supervisão, para desenvolverem novos produtos. Esta abordagem também tem gerado conflitos com os reguladores. O Banco Central Europeu (BCE) impôs restrições ao crescimento da Revolut no ano passado, depois de ter identificado «deficiências» nos seus processos de aprovação de novos produtos, conforme noticiou anteriormente o Financial Times.
O BCE determinou ainda que a Revolut realizasse uma revisão independente das suas funções de gestão de risco, compliance e assessoria jurídica relacionadas com o lançamento de novos produtos na Europa.
O Financial Times noticiou também, no ano passado, que o Banco de Inglaterra tinha adiado a concessão de uma licença bancária à Revolut devido a preocupações quanto à capacidade dos seus controlos de risco para acompanharem o rápido crescimento das operações internacionais do grupo.
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