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Banqueiros pedem previsibilidade e equilíbrio nas contas públicas
Os banqueiros aproveitaram ainda para comentar as baixas taxas de juro sobre os depósitos, criticadas no mesmo evento pelo governador do Banco de Portugal.
08 Out 2026 - 16:31
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Os CEO de alguns dos principais bancos em Portugal pediram, nesta quinta-feira, equilíbrio das contas públicas, num cenário internacional menos favorável. Na sua intervenção na Money Conference, organizada pelo Diário de Notícias e pelo Dinheiro Vivo e que decorre em Cascais, o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa sublinhou que, apesar das mudanças no Governo, Portugal manteve “o mesmo caminho de redução do peso da dívida” face ao PIB.
“Penso que por termos chegado até aqui, com enorme esforço, ao equilíbrio das contas públicas, que não vamos estragá-lo agora quando o cenário que temos à nossa volta não é propriamente o mais favorável”, disse. Nesse sentido, afirmou ser “favorável a uma redução da despesa”, mas pediu que se dissesse onde.
O presidente do BPI também sublinhou que Portugal ganhou, nos últimos anos, uma “credibilidade externa”, tendo os juros da dívida a um nível mais saudável que os países comparáveis.
Já a posição da CEO do Santander Portugal, Isabel Guerreiro, resumiu-se em duas palavras: previsibilidade e estabilidade. “O ambiente internacional já está suficientemente imprevisível para nós acrescentarmos imprevisibilidade regulatória administrativa fiscal”, disse, apontando para uma maior rapidez nos licenciamentos e equilíbrio e responsabilidade nas contas públicas.
Também o presidente do Millennium BCP, Miguel Maya, pediu um equilíbrio das contas, acrescentando que é “muito importante que se concentre os apoios nas classes mais desfavorecidas”. “Tudo o resto, diria, que hoje se joga fora do orçamento. Estou muito mais preocupado com o que não está no Orçamento nem devia estar no Orçamento, que são as transformações que têm de se fazer na habitação, na justiça, no licenciamento”, acrescentou.
O presidente executivo do Crédito Agrícola, Sérgio Raposo Frade, apontou que o Estado deve ter um papel de infraestrutura básica, de estabilidade regulatória, de fiscalidade e de estabilidade da fiscalidade.
No mesmo painel, os banqueiros responderam ao governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, que mais cedo tinha defendido que os bancos têm margem para aumentar a remuneração dos depósitos e melhorar os incentivos à poupança.
Isabel Guerreiro considerou que o mercado português “tem das melhores condições de crédito de todo o sistema da OCDE” e que, mais que os depósitos, os bancos têm outros produtos para remunerar os seus clientes. Já Miguel Maya apontou que os depósitos, no mercado aberto, têm uma remuneração “marginalmente abaixo da mediana da Zona Euro”.
“Estivemos oito anos com taxas de juro negativas do Banco Central Europeu e em Portugal, ao contrário dos outros países, essa negatividade não foi passada para os clientes”, afirmou, recordando que o mesmo aconteceu com a taxa Euribor.
Sobre o tema da habitação, que move muito do crédito em Portugal, o presidente do Banco Montepio, José Azevedo Pereira, sublinhou que falta um equilíbrio entre a oferta e a procura no mercado da habitação. Mark Bourke, do Novo Banco, referiu que depois das crises, é preciso reconstruir o setor da construção, não apenas porque são setores que acabam por ser mais prejudicados, mas também porque a complexidade da burocracia pode atrasar a construção.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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