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BCE diz que os bancos devem investir muito mais em cibersegurança para dominarem os novos modelos de IA

Luis de Guindos fala na necessidade de um melhor entendimento das implicações práticas da atuação dos novos modelos de Inteligência Artificial

27 Mai 2026 - 10:27

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Luis de Guindos, Vice-presidente do BCE/Foto: BCE

Luis de Guindos, Vice-presidente do BCE/Foto: BCE

“Os bancos da zona euro precisam de investir mais em cibersegurança para conseguirem dominar os novos modelos de Inteligência Artificial (IA), capazes de encontrar falhas em software, afirmou nesta quarta-feira o vice-presidente cessante do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos, citado pela agência Reuters.

“Precisamos de compreender muito melhor as possíveis implicações destes novos modelos e tentar implementar sistemas e correções de cibersegurança que consigam lidar com esta situação”, disse de Guindos aos jornalistas, durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira do BCE, que inclui uma secção especial dedicada à análise do sentimento em relação à estabilidade financeira através da utilização de ferramentas avançadas de IA.

O responsável referiu ainda que é necessário “começar a aumentar a consciencialização das instituições financeiras e dos bancos para a necessidade de investimentos adicionais em cibersegurança, porque isso será algo bastante estrutural num futuro próximo”.

Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta quarta-feira pelo BCE, são três os grandes riscos que irão moldar o desenvolvimento económico da zona euro nos próximos tempos.

Em primeiro lugar, “uma escalada e/ou prolongamento das tensões geopolíticas, juntamente com crescentes preocupações sobre a sustentabilidade das finanças públicas, podem prejudicar o sentimento dos mercados financeiros, desencadeando uma venda abrupta de ativos e expondo vulnerabilidades soberanas”.

Em segundo lugar, “as vulnerabilidades de liquidez e alavancagem no setor das instituições financeiras não bancárias (IFNB), incluindo mercados privados opacos e interligados, podem amplificar qualquer stress nos mercados através de vendas forçadas, aumentando o risco de efeitos de contágio para outros setores financeiros e económicos”.

Por último, “embora os bancos da zona euro tenham demonstrado resiliência aos choques recentes, a exposição ao setor das IFNB (Instituições Financeiras Não Bancárias), juntamente com os efeitos das tensões geopolíticas na capacidade de pagamento da dívida dos mutuários, pode expor vulnerabilidades de crédito, liquidez e financiamento”.

“O atual ambiente geoeconómico de grande incerteza está a revelar-se mais prolongado do que inicialmente previsto. Neste contexto, a possibilidade de estes riscos altamente interligados se materializarem simultaneamente, possivelmente amplificando-se mutuamente, aumenta os riscos para a estabilidade financeira”, refere o relatório.

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