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BCE revela que expetativas de inflação aumentam em todos os prazos. Nova subida dos juros iminente em outubro

Mercados começam a descontar três subidas das taxas até aos 3,25% em março de 2027

18 Set 2026 - 12:22

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Reunião do Conselho de Governadores do BCE/Foto: BCE

Reunião do Conselho de Governadores do BCE/Foto: BCE

Segundo os resultados da Pesquisa de Expectativas do Consumidor do Banco Central Europeu (BCE), relativos a agosto de 2026 e divulgados nesta sexta-feira, a taxa mediana de inflação percebida nos 12 meses anteriores foi de 3,5%, a mesma registada em julho. Segundo a instituição liderada por Christine Lagarde, as expetativas para os próximos 12 meses aumentaram para 3% (face aos 2,9% em julho), enquanto as expetativas para a inflação daqui a três anos também subiram para 2,9% (estavam nos 2,7%).

No prazo mais alargado de cinco anos, as expetativas também aumentaram para 2,9% (face aos 2,7%).

“A incerteza sobre as expetativas de inflação para os próximos 12 meses diminuiu, mas permaneceu acima do nível vigente antes do início do conflito no Médio Oriente”, refere o BCE, acrescentando que os cidadãos com rendimentos mais baixos continuam a relatar perceções e expetativas de inflação mais elevadas, em média, do que aqueles que auferem rendimentos mais altos. Os jovens (18 a 34 anos) têm uma expetativa de inflação mais baixa do que os grupos etários mais velhos (35 a 54 anos e 55 a 70 anos).

Esta perceção de uma inflação mais elevada durante mais tempo é o argumento de que o BCE precisa para uma nova subida das taxas de juro na sua reunião de outubro, depois de um aumento de 25 pontos base, para 2,5%, anunciado no passado dia 10 de setembro.

A questão é que os mercados já estão a descontar nada mais, nada menos do que três subidas das taxas de juro, até aos 3,25%. É o caso do JPMorgan, que prevê que o BCE aplique uma nova subida das taxas de juro de 25 pontos base em março de 2027, depois do aumento que já está descontado para dezembro. Esta trajetória representa uma revisão da previsão anterior para a evolução das taxas de juro, que apontava inicialmente para que estas se mantivessem inalteradas ao longo do próximo ano.

Essa tendência de subida é também confirmada por Martins Kazaks, membro do Conselho do BCE e presidente do Banco Central da Letónia, que refere que é possível que o banco central tenha de elevar os custos de financiamento para níveis que travem a atividade económica, na tentativa de controlar a inflação.

“A crise energética provocada pela guerra no Irão está a revelar-se mais prolongada e o BCE deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar que os preços elevados do petróleo e do gás natural se alastrem a outras componentes da inflação”, afirmou nesta sexta-feira o presidente do banco central letão à Bloomberg Television, citado pelo diário digital espanhol El Economista.

«Uma política monetária restritiva é o “resultado provável” se a economia continuar a evoluir em linha com o cenário de referência», afirmou Kazaks.

«Quanto mais forte for a economia, mais fácil será subir as taxas de juro», acrescentou, referindo-se ao crescimento surpreendentemente robusto da Alemanha no segundo trimestre.

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