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BCP reporta aumento de 12,7% do lucro para 565,8 milhões no 1.º semestre

As receitas do Millennium BCP cresceram 4% para 1,94 mil milhões, com crescimento tanto ao nível da margem financeira como das comissões.

29 Jul 2026 - 17:12

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Millennium bcp/Foto: Luís Alves Almeida | Jornal PT50

Millennium bcp/Foto: Luís Alves Almeida | Jornal PT50

O Millennium BCP anunciou, nesta quarta-feira, um lucro de 565,8 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2026, mais 12,7% do que no ano anterior. A atividade em Portugal representou 470,2 milhões do total, o que equivale a uma subida homóloga de 10,9%.

Já o negócio a nível internacional alcançou um resultado líquido de 183,5 milhões, mais 25,2% do que no mesmo período de 2025. Mais uma vez, o BCP destaca o desempenho da unidade polaca, o Bank Millennium, que atingiu um lucro de 166,9 milhões neste primeiro semestre.

A atividade de Moçambique representou 13,9 milhões, menos 37%. A contribuição líquida do negócio internacional foi de 95,6 milhões.

As receitas do Grupo BCP ascenderam a 1,94 mil milhões, aumentando 4% face ao semestre homólogo. A margem financeira continua a crescer, em 3,4%, tendo atingido 1,49 mil milhões, enquanto as comissões avançaram 5,8% para 438 milhões.

O banco regista ainda um outro proveito de 18,5 milhões, contra uma perda de 9,9 milhões no mesmo período de 2025. O CEO do BCP, Miguel Maya, explicou que esta variação originou em duas operações específicas no primeiro trimestre.

No que diz respeito às despesas operacionais, estas aumentaram em 5,4% para 720,2 milhões. O rácio de eficiência do BCP manteve-se estável em 37%.

Olhando para o crédito malparado, o rácio NPE do crédito baixou de 2,7% para 2,2% ao nível do grupo. Em Portugal, a queda foi de 2% para 1,6%, enquanto a atividade internacional caiu de 4,3% para 3,5%.

Os recursos de clientes evoluíram de 106,2 mil milhões para 116,7 mil milhões. Já a carteira de crédito aumentou 5 mil milhões para 65,2 mil milhões entre o final de junho de 2025 e o final de junho de 2026.

Olhando para a solvabilidade do banco, o rácio CET1 caiu de 16,2% para 15,1%. Já o LCR encontra-se em 326%, menos 10 pontos percentuais.

Em termos de rentabilidade, esta situou-se em 15,2% neste primeiro semestre, acima dos 14,9% do ano passado.

Carteira de crédito em francos suíços continua em queda

A carteira de crédito do Bank Millennium denominada em francos suíços continua a reduzir, tendo baixado 47% face ao mesmo período do ano anterior. Também as provisões, os processos em tribunal e os custos associados a esta carteira baixaram.

Já o Millennium BIM, em Moçambique, registou um aumento das provisões, o que levou ao menor resultado líquido. Estas ascenderam a 42,5 milhões, mais 16,5 milhões do que na primeira metade de 2025.

Questionado sobre se a presença em Moçambique ainda faz sentido para o grupo, Miguel Maya não vê “razão nenhuma” para desistir do investimento no país, apesar da situação atual, que tem levado a resultados menos positivos. O líder da empresa nota que as situações nacionais oscilam, dando o exemplo da altura em que Portugal enfrentava uma realidade mais difícil e era compensado pela presença internacional.

Em relação às participações do BCP em França e Angola, o CEO sublinha que são rentáveis e não existe urgência em rever as mesmas.

O Grupo BCP contava no final de junho com 7,4 milhões de clientes, dos quais 2,9 milhões em Portugal.

Maya reforça que garantia pública não resolve problema da habitação

No primeiro semestre, 41% do crédito à habitação produzido pelo BCP foi com recurso à garantia pública do Estado. O CEO do BCP revela que 68% da garantia concedida ao banco já foi usada.

Questionado sobre a importância da medida, Miguel Maya reitera que não vai resolver o problema da habitação no país, mas tem relevância para ajudar quem não tem capacidade de poupança para dar uma entrada de 10%, como é habitualmente exigido.

BCP reforça que pretende alterar modelo de contribuição para o FdR

Em relação à decisão do Tribunal Constitucional sobre as contribuições para o Fundo de Resolução, Miguel Maya reforça o que já reiterou no passado. O líder do BCP acredita que o modelo de contribuição para o fundo não é justo e prejudica algumas instituições.

O CEO assegura que não é uma questão de vitórias e derrotas, mas sim de reformular o modelo e reconhecer que este não garante o ‘level playing field’.

Já em relação às alterações macroprudenciais que o Banco de Portugal introduziu, Maya considerou que são legítimas e que resultam do banco central pretender estar à frente dos problemas.

Sobre as recomendações recentes da Autoridade da Concorrência, Miguel Maya indica que a verdadeira concorrência deve ser analisada no ceio da união bancária, “que é onde o BCP concorre”, afirma.

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