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É oficial: Novo Banco passa para as mãos do BPCE por 6,7 mil milhões
Operação de venda do Novo Banco está concluída. Lucro de 2025 e aumento de capital no início de 2026 levaram preço a subir além dos 6,4 mil milhões inicialmente acordados com BPCE.
30 Abr 2026 - 11:17
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O presidente Grupo BPCE, Nicolas Namias e o CEO do Novo Banco Mark Bourke (Foto/Novo Banco)
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O presidente Grupo BPCE, Nicolas Namias e o CEO do Novo Banco Mark Bourke (Foto/Novo Banco)
O Novo Banco passou oficialmente para as mãos dos franceses do BPCE, anunciou a instituição em comunicado à CMVM nesta quinta-feira. Segundo informa, o valor final a pagar por 100% do capital do banco é de 6,7 mil milhões de euros.
Em comunicado, o banco explica que, “de acordo com o definido no Memorando de Entendimento de junho de 2025 e nos subsequentes acordos de aquisição assinados em agosto e outubro de 2025, o preço final de aquisição a 31 de dezembro de 2025 foi fixado em 6,5 mil milhões, com base no resultado líquido de 2025 de 828 milhões, o que corresponde a um múltiplo dos lucros de 2025 de 7,85. Com o aumento do capital próprio do Novo Banco, decorrente da atividade dos primeiros quatro meses de 2026, a 30 de abril de 2026, o preço de aquisição totalizou 6,7 mil milhões”.
O Novo Banco salienta que esta transação “marca a conclusão bem-sucedida de uma transformação multianual” da instituição, que tem resultado num “perfil financeiro significativamente fortalecido, uma posição de capital robusta e um nível de rentabilidade sustentável”. Do lado do BPCE, acrescenta o mesmo em comunicado, esta operação “reforça a estratégia de diversificação” do mesmo e “representa um marco importante no projeto estratégico Visão 2030” do banco.
O CEO do Novo Banco, Mark Bourke, acredita que este “novo capítulo” vai permitir consolidar a estratégia e reforçar o papel no financiamento da economia. “Com o apoio de um dos principais grupos bancários europeus, iremos reforçar a nossa capacidade financeira e expandir a experiência e know-how que podemos proporcionar aos nossos clientes”, realça.
Por sua vez, o CEO do Groupe BPCE, Nicolas Namias, aponta também o financiamento da economia como algo a aprofundar, acrescentando que pretendem apoiar o desenvolvimento do Novo Banco, “mobilizando toda a experiêcia do BPCE”.
“O Novo Banco continuará a operar como um banco gerido localmente, firmemente ancorado em Portugal. Como parte da sua nova estrutura acionista, o novobanco continuará totalmente responsável pela implementação da estratégia definida com o BPCE, dentro do quadro e sob a supervisão do seu novo acionista”, adianta a instituição francesa.
No que diz respeito à administração do banco, o BPCE revela ainda que vai propor três membros para o Conselho Geral e de Supervisão, substituindo os anteriormente nomeados pela Lone Star. Mark Bourke mantém-se como CEO, tal como já tinha sido anunciado, e passa a reportar a Jacques Beyssade, secretário-geral e membro do Senior Management Committee do BPCE.
“A equipa que preparou a integração do Novo Banco no BPCE irá agora concentrar-se na implementação operacional do plano de integração e será liderada por Olivier Delay, anterior CEO da Natixis CIB Américas”, acrescenta.
O BPCE realça ainda “o seu compromisso de trabalhar em estreita colaboração com as equipas do Novo Banco para apoiar o desenvolvimento do banco numa perspetiva de longo prazo e reforçar a sua capacidade de financiar a economia portuguesa”. A instituição sublinha ainda este “novo passo no reforço da sua presença no país”, recordando que já está presente através do centro de competências da Natixis, do Banco Primus e da Oney. O BPCE vai passar a contar com um total de cerca de 8000 colaboradores em Portugal.
Banco de Portugal defende processo de resolução
O Banco de Portugal (BdP) veio defender o processo de resolução do Banco Espírito Santo, argumentando que, após 12 anos, a venda e integração do Novo Banco num “grupo bancário europeu de referência, bem como a evolução positiva do sistema bancário português na última década, confirmam que foram cumpridos os objetivos do BdP na defesa do interesse público”.
O supervisor considera que as suas decisões ao longo dos anos tiveram como objetivos centrais a “salvaguarda da estabilidade financeira, a continuidade das funções prestadas à economia nacional” e ainda “a proteção dos depositantes e a preservação do financiamento da economia nacional, limitando, tanto quanto possível, o impacto da falência do BES para o erário público”.
“A criação do Novo Banco evitou a liquidação desordenada do BES”, reitera o banco central, destacando que “a sua reestruturação subsequente permitiu restaurar a viabilidade da instituição e reforçar a sua solidez financeira”. “Diversas decisões judiciais têm confirmado, ao longo dos anos, a legalidade, a proporcionalidade e a solidez das decisões tomadas pelo Banco de Portugal no contexto da resolução do BES e do processo de reestruturação do Novo Banco”, remata.
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