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Escassez de moeda estrangeira é principal obstáculo ao crescimento dos bancos africanos

Estima-se que, até 2024, o défice de financiamento do comércio para cobrir as necessidades das empresas africanas situava-se entre os 74 e 92 mil milhões de dólares.

28 Mai 2026 - 10:04

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Foto: BAD

Foto: BAD

A escassez de liquidez em moeda estrangeira tornou-se o principal obstáculo ao crescimento do financiamento do comércio pelos bancos africanos, indicou nesta quarta-feira um estudo divulgado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD). No relatório, apresentado em Brazzaville, no encontro anual do BAD, aponta-se que “cerca de 36% dos bancos identificaram a limitada disponibilidade de divisas como a principal restrição ao crescimento do financiamento do comércio entre 2020 e 2024, em comparação com 18% no período 2015–2019”. Para o BAD, este é o “principal entrave ao crescimento do financiamento do comércio”.

No mesmo relatório, estima-se que, até 2024, o défice de financiamento do comércio para cobrir as necessidades das empresas africanas situava-se entre os 74 e 92 mil milhões de dólares. Ainda assim, o BAD e outras instituições financeiras de desenvolvimento “facilitaram cerca de 32 mil milhões de dólares por ano em financiamento do comércio entre 2020 e 2024, representando, em média, cerca de 3% do comércio total de mercadorias de África no mesmo período”.

O BAD avisou, contudo, que o comércio no continente “continua insuficientemente servido pelos bancos comerciais”, até porque, entre 2020 e 2024, “os bancos comerciais intermediaram, em média, 23% do comércio total de África, abaixo dos 40% registados no período 2011–2019”. Apesar disso, os bancos comerciais regionais africanos estão a desempenhar um papel cada vez mais relevante como bancos correspondentes ao serviço dos bancos emissores em África.

O relatório foi apresentado no encontro anual do Grupo BAD, no qual representantes dos 81 países membros, incluindo chefes de Estado, ministros das Finanças, ministros do Planeamento e governadores de bancos centrais, vão analisar os progressos alcançados ao longo do último ano e os grandes desafios que se avizinham. O lema das reuniões deste ano, que decorrem até sexta-feira na capital da República do Congo, é “Mobilizar o Financiamento do Desenvolvimento de África em Grande Escala num Mundo Fragmentado”.

As reuniões deste ano estão a ser marcadas por medidas sanitárias contra o Ébola, que foram reforçadas em Brazzaville, separada da República Democrática do Congo por um rio, e o próprio formato dos encontros foi alterado, com o Banco a adotar “um formato híbrido, permitindo que todos os delegados participem plenamente nos trabalhos, independentemente das condições de viagem e logísticas”.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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