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Espoir ou désarroi?

Por Cristina Dias Neves, Fundadora do Jornal PT50

30 Mai 2026 - 08:00

4 min leitura

Foi com sentimentos contraditórios que assisti hoje à inauguração de uma nova sede do Banco de Investimento Natixis, do Grupo BPCE, onde participavam não só o Presidente do Natixis em Portugal, Etienne Huret, como o Presidente-Executivo do BPCE, Nicolas Namias, e o Ministro das Finanças português, Joaquim Miranda Sarmento.

Primeiro impacto: a estranheza de ouvir uma forte pronúncia francesa no mundo financeiro. Não estava habituada. Devo dizer que gostei e pensei cá para mim: é forte, mas, pronto, sempre é mais bonita do que a pronúncia espanhola. Só isto, sem qualquer “arrière-pensée”, juro.

Depois, também fiquei surpreendida com a energia contagiante do Presidente do BPCE e com a forma como valorizava os benefícios de Portugal e da operação portuguesa. Temos talento, temos contas certas, temos crescimento. E mais: poder-se-ão construir sinergias nas áreas em que os franceses são fortes, como o leasing e a gestão de ativos, como referiu a título de exemplo. Não sei se percebi mal, mas não o ouvi referir as áreas em que o novobanco pode e deve servir de exemplo ao seu novo acionista. Afinal de contas, Portugal tem uma das bancas comerciais mais eficientes e sofisticadas da Europa, e o novobanco está entre os melhores.

Talvez tenha sido aí que senti o desconforto subtil de um país que sabe o seu valor, mas nem sempre tem escala para o impor. Mas, pronto, admito que quem paga é que dita o tom, e não o contrário. Ainda tentei perguntar o que pensa sobre isso, mas fui absorvida pelo ritmo imposto à cerimónia. Em breve iremos saber.

A intervenção do Ministro só veio reforçar este meu “désarroi émotionnel” — ou, em português, desalento. Numa intervenção que classifico como muito honesta, sem grandes floreados, Joaquim Miranda Sarmento sublinhou que a compra do novobanco pelo BPCE era um exemplo fundamental para a criação de uma Europa com soberania económica e financeira, referindo-se aos entraves que os vários governos europeus têm colocado às compras de instituições financeiras entre Estados-membros.

Pois, pensei eu, nós não colocamos entraves porque não temos como… Ou eram estes franceses ou eram os espanhóis. Ou então desmantelavam o banco e vendiam-no aos bocados aos bancos portugueses. Ou tinham colocado o banco em Bolsa. E outros o teriam comprado. Não sabemos.

O BPCE, pelo menos, tem o mérito de já ter feito crescer uma operação importante em Portugal, um centro de competências do Natixis, com mais de 3000 pessoas qualificadas, de 46 nacionalidades, a trabalhar desde o Porto para todo o mundo e a caminho de chegar às 4000 com este novo hub de Lisboa. Será que é determinante que seja português? Não, não é. O que importa é que todos tenhamos a humildade de saber viver e aprender uns com os outros, independentemente da nossa dimensão. É essa a base da Europa com que todos sonhamos.

E talvez seja precisamente nestes tempos de mudança e redefinição que também os projetos editoriais precisam de renovar liderança e ambição.

A partir desta semana, o Miguel Alexandre Ganhão, até à data editor-executivo do Jornal PT50, passa a diretor do Jornal PT50. Tenho muita confiança no Miguel e estou convencida de que, com a sua energia, discernimento e enorme experiência, vai continuar a conduzir este jornal com a mestria que o tem caracterizado. E agora com ainda mais ambição.

Eu vou manter-me neste projeto que fundei e que continuo a construir todos os dias, mas agora mais dedicada ao desenvolvimento da Target Media, que agrega o Jornal PT50 e o Jornal PTGreen, e que está a preparar outros desafios.

Boa sorte, Miguel, contamos contigo!

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