Subscrever Newsletter - Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Submeter

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade

4 min leitura

Roma e Pavia não se fizeram num dia

por Cristina Dias Neves, fundadora do JornalPT50

11 Jul 2026 - 07:00

4 min leitura

Nesta sexta-feira tive a oportunidade de assistir à defesa da tese de doutoramento da nossa cronista e membro do conselho editorial, Dina Rato, no ISEG. Resumidamente, a Dina avaliou o impacto que a estrutura societária das empresas tem na sua performance em termos de indicadores ESG. Para tal, analisou a ambiguidade existente nas várias definições de ESG utilizadas por agências de rating e por reguladores e entidades normativas.

Logo aí surgiu a primeira dificuldade. Como todos os que trabalham neste setor sabem, há inúmeros conceitos e definições de ESG, para não falar da variedade de indicadores e critérios distintos. A área com entendimento mais comum é a do ambiente, provavelmente por ser aquela que há mais tempo é objeto de estudo. Mas há várias conclusões interessantes na tese da Dina, por exemplo, que vários tipos de acionistas coexistem na estrutura de capital das empresas, e que cada um tem as suas preferências em relação ao ESG. Curiosamente, a presença de famílias fundadoras e de fundações na estrutura de capital das empresas cotadas europeias não está associada a um melhor desempenho e divulgação em matéria de ESG.

Quando lançámos o Jornal PTGreen – o irmão mais novo do Jornal PT50, dedicado à transição energética e à economia verde, sem perder de vista outras áreas relativas à sustentabilidade deste planeta, foram vários os que torceram o nariz a esta aposta. Afinal de contas, foi no ano em que Donald Trump assumiu a presidência norte-americana e em que as grandes companhias começaram a deixar cair, quase em efeito dominó, as promessas que tinham feito neste domínio. Porque apostar num jornal dedicado em exclusivo a este tema? Na banca, por exemplo, foi o ano do fim da Net-Zero Banking Alliance tal como a conhecíamos.

Mas nós, que olhamos para o mercado numa perspetiva de longo prazo, nunca acreditámos que o caminho para a transição energética deixasse de ser irreversível e, por isso, tomámos a decisão de avançar mesmo assim.

A revolução que a inteligência artificial vai trazer à humanidade como um todo, as necessidades energéticas que isso acarreta, a urgência cada vez mais premente de garantir independência energética e a evidente destruição dos ecossistemas através da intervenção humana davam-nos razões mais do que evidentes para avançar.

Neste início de ano, com as tragédias climáticas que vivemos e a confirmação de que os EUA estão nas mãos de um conjunto de pessoas que não valorizam nem pretendem respeitar qualquer instituição — deixando as nossas economias à mercê dos caprichos de um homem rico, velho e excêntrico —, parece que todos concluíram que temos mesmo de olhar para alternativas, sob pena de não conseguirmos garantir a segurança necessária para continuar a crescer como até aqui. De referir que isso teve como consequência que o financiamento sustentável, que não tem parado de crescer, se tenha deslocado para outras geografias que não os EUA.

E eu acrescento, talvez um pouco inspirada na tese da Dina (que espero venha a ser publicada), que apesar de podermos apontar muitas falhas a todo este mundo do ESG, a começar pelas que já referi no início deste texto e a terminar nas mais óbvias, como o “greenwashing”, acredito que ele reflete uma evolução muito positiva nas economias ocidentais.

“Roma e Pavia não se fizeram num dia”, diz o ditado: as instituições e culturas não nascem como cogumelos. Crescem, por vezes de forma mais lenta, outras vezes de forma mais rápida, ora com grandes impulsos, ora aos solavancos.

Por esta razão, acredito que tanto os temas relacionados com o ambiente e a transição energética, onde parece já existir algum consenso, como os temas mais propícios a alguma discricionariedade, como o governance ou o impacto social, são o reflexo de uma sociedade mais madura e civilizada, e que devemos, hoje mais do que nunca, acarinhar e promover.

O estudo académico destas matérias, em todas as suas vertentes, é por isso muito bem-vindo e acredito que constitui também a base para um crescimento saudável da nossa economia.

Subscrever Newsletter

Mantenha-se atualizado sobre tudo o que se passa no sistema financeiro.

Ao subscrever aceito a Política de Privacidade