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Europa tem défice de investimento empresarial superior a 600 mil milhões face aos EUA
Estudo da McKinsey demonstra que existe uma diferença que equivale a perto de 3 pontos percentuais do PIB europeu, face à realidade americana.
03 Set 2026 - 07:22
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Muita poupança, pouco investimento. Este é o diagnóstico que se repete sobre a economia europeia, desta feita pela mão do McKinsey Global Institute (MGI), no estudo The Global Balance Sheet 2026: Imbalance and Divergence. Neste sentido, o mesmo estudo dita que a Europa tem um défice de investimento empresarial estimado em cerca de 605 mil milhões de euros em comparação com os EUA.
Esta é uma diferença que equivale a perto de 3 pontos percentuais do PIB europeu. O MGI argumenta que o investimento produtivo é “o principal fator capaz de alterar a trajetória económica da Europa” e “colmatar esta diferença, através do reforço do investimento em ativos produtivos, incluindo infraestruturas, maquinaria e equipamento e propriedade intelectual, é apontado como um passo essencial para impulsionar a produtividade, reforçar a competitividade e sustentar o crescimento económico no longo prazo”.
A mesma análise revela ainda que a riqueza per capita na Zona Euro, em 2025, se manteve próxima dos níveis de 2024, fixando-se em 235 mil euros por pessoa. “Embora os mercados acionistas tenham contribuído positivamente para a riqueza das famílias, outros ativos tiveram dificuldade em acompanhar a inflação”, explica a consultora em comunicado. A título de exemplo, a riqueza per capita diminuiu em França e Alemanha, “refletindo, em parte, a descida dos valores imobiliários”.
A nível mundial, o estudo conclui que a riqueza das famílias atingiu um máximo histórico de 492,3 biliões de euros, o que implica uma subida de 34,5 biliões face ao ano anterior. Já o balanço global aproximou-se de 1,55 mil biliões de euros.
O MGI esclarece que “apenas 20% do crescimento da riqueza das famílias resultou da formação de novo capital produtivo, refletindo uma crescente dissociação entre a criação de riqueza e os fundamentos da economia real”. O estudo demonstra ainda que “a composição desse crescimento também se alterou significativamente”.
“Em 2025, mais de metade da riqueza criada teve origem na valorização de participações em capital e fundos de investimento, enquanto o contributo do imobiliário ficou abaixo dos níveis observados ao longo das últimas duas décadas”, explica. Desta forma, “esta evolução sugere que uma parcela crescente da riqueza gerada a nível global resulta da valorização dos ativos existentes e não da formação de novo capital produtivo”, conclui.
Como vão evoluir as maiores economias globais
Comparando as várias regiões do globo, o MGI aponta que as principais economias mundiais “seguem trajetórias cada vez mais divergentes”. Os EUA, explica, apresentam uma dinâmica económica mais robusta, devido ao crescimento da produtividade, mas com “vulnerabilidades associadas aos elevados níveis de dívida pública e às valorizações acionistas historicamente elevadas”.
Por sua vez, a economia chinesa continua a ajustar-se à correção do mercado imobiliário, “num contexto marcado pelo aumento da dívida pública e empresarial e pela procura de novos motores de crescimento”. “Já a Europa, apesar de apresentar balanços relativamente mais equilibrados, continua condicionada por uma combinação de produtividade estagnada, níveis elevados de poupança e investimento insuficiente, fatores que a aproximam de um cenário de estagnação secular”.
De forma mais detalhada, em Portugal, “os dados analisados pelo MGI apontam para uma evolução alinhada com algumas das tendências identificadas na Europa, embora com sinais distintos entre os vários componentes dos balanços económicos”. Em relação à riqueza líquida das famílias por habitante, esta baixou cerca de 1,6% entre 2024 e 2025.
“Os ativos produtivos, que incluem infraestruturas, maquinaria e equipamento e propriedade intelectual, diminuíram cerca de 10 pontos percentuais do PIB”, sublinha, acrescentando que, “em paralelo, Portugal atingiu um máximo histórico no rácio entre capitalização corporativa e PIB, em linha com a tendência global, e reduziu a dívida pública em cerca de quatro pontos percentuais do PIB”.
Sobre o que aguarda as economias mundiais nos próximos dez anos, o MGI coloca em cima da mesa quatro possibilidades: aceleração da produtividade, inflação sustentada, estagnação secular ou correção do balanço. “Cada um destes cenários teria implicações diferentes para o crescimento económico, a criação de riqueza, a inflação e as condições de financiamento”, nota.
A aceleração da produtividade, assegura, “é o único cenário que permite sustentar, em simultâneo, o crescimento dos rendimentos, da riqueza e da atividade económica”. “Nos restantes cenários, os ajustamentos tendem a ocorrer através de mecanismos menos favoráveis: inflação mais elevada, períodos prolongados de crescimento reduzido ou correções no valor dos ativos e do endividamento”, esclarece.
Todos os cenários permanecem possíveis, de acordo com o MGI, concluindo que “as principais economias se encontram atualmente em posições distintas”. “Os Estados Unidos apresentam características mais próximas de uma trajetória de aceleração da produtividade; a China continua a procurar um novo equilíbrio após o ajustamento do setor imobiliário; e a Europa permanece mais próxima de uma trajetória de estagnação secular”, segundo o estudo.
A evolução daqui em diante, considera o MGI, vai depender da capacidade de cada região de “atuar sobre os fatores que condicionam o seu crescimento”. “Num contexto de elevada incerteza económica, acompanhar esses fatores será determinante para compreender a evolução da produtividade, da criação de riqueza e da estabilidade económica na próxima década”, remata.
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