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Federação Europeia de Investidores alerta para a captação das poupanças das famílias para os mercados privados
Better Finance considera que a promoção destes investimentos no âmbito da União da Poupança e do Investimento não é acompanhada por um nível adequado de proteção dos investidores particulares
08 Jul 2026 - 07:30
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Os investidores de retalho europeus estão a ser incentivados a aplicar uma parcela crescente das suas poupanças em investimentos de longo prazo, nomeadamente em mercados privados e em Fundos Europeus de Investimento de Longo Prazo (ELTIF). No entanto, um novo estudo da Better Finance alerta que a proteção dos investidores particulares não está a acompanhar o aumento dos riscos associados a estes produtos.
Segundo um comunicado da Federação Europeia de Investidores e Utilizadores de Serviços Financeiros (Better Finance) divulgado esta semana, «os mercados privados, incluindo os fundos de capital privado, crédito privado, infraestruturas e imobiliário, têm sido tradicionalmente reservados a grandes investidores institucionais, capazes de manter o capital investido durante vários anos e de suportar eventuais perdas».
A organização sublinha, contudo, que a União Europeia está agora a promover ativamente este tipo de investimento junto das famílias, no âmbito da estratégia para a União da Poupança e do Investimento, impulsionada pela comissária europeia para os Serviços Financeiros, Maria Luís Albuquerque.
O novo relatório da Better Finance levanta, por isso, dúvidas sobre se os investidores de retalho compreendem plenamente as características dos produtos que lhes estão a ser comercializados.
«Os cidadãos europeus estão a ser incentivados a investir mais no seu futuro, mas não devem transformar-se num campo de ensaio para produtos complexos e ilíquidos, que até os investidores profissionais abordam com prudência», afirma Ana Rita Fernandes Monteiro, diretora de Políticas e Assuntos Jurídicos da Better Finance.
O relatório destaca que os ELTIF cresceram rapidamente desde a revisão do respetivo enquadramento regulamentar europeu, em 2024. Atualmente, mais de dois terços destes fundos são comercializados junto de investidores de retalho, depois de terem sido eliminadas barreiras à entrada, como os montantes mínimos de investimento.
Apesar disso, os produtos continuam a ser, por natureza, investimentos ilíquidos. Os investidores podem enfrentar longos períodos de imobilização do capital, atrasos nos resgates, condições de saída imprevisíveis e incerteza quanto à valorização dos ativos durante períodos de turbulência nos mercados.
A Better Finance alerta que muitos aforradores poderão acreditar, erradamente, que conseguem aceder facilmente ao seu dinheiro, quando, na realidade, os ativos privados são frequentemente difíceis de vender de forma rápida e a um preço justo.
O estudo identifica igualmente uma crescente contradição na política europeia de promoção do investimento. Enquanto investimentos mais simples e transparentes, como muitas obrigações, continuam sujeitos a montantes mínimos elevados para os investidores de retalho, produtos dos mercados privados, significativamente mais complexos e arriscados, tornaram-se mais acessíveis do que nunca.
A organização manifesta ainda preocupação com a forma como estes produtos estão a ser comercializados. Ao abrigo do novo regime dos ELTIF, as entidades comercializadoras não são obrigadas a prestar aconselhamento para vender estes fundos a investidores de retalho. Na prática, porém, muitos investidores poderão ter dificuldade em distinguir entre um produto considerado «adequado» e um verdadeiro serviço de consultoria para investimento.
A Better Finance alerta igualmente para o facto de os custos continuarem a ser difíceis de comparar e compreender. Acresce que os mecanismos de gestão da liquidez, concebidos para limitar os resgates em períodos de tensão nos mercados, podem traduzir-se em custos adicionais ou atrasos precisamente quando os investidores mais necessitam de aceder às suas poupanças.
O relatório não põe em causa o investimento de longo prazo nem o contributo do capital privado para o financiamento da economia europeia. Salienta, contudo, que a participação dos investidores particulares nunca deve ocorrer à custa da transparência, da equidade ou da proteção dos investidores.
Perante o crescente acesso dos investidores individuais aos mercados privados, a questão central, conclui a organização, é saber se veículos como os ELTIF oferecem um meio adequado, eficaz e seguro para esse investimento.
«Mobilizar a poupança europeia não pode significar transferir mais riscos para as famílias sem garantir que estas compreendem plenamente as consequências», afirma Guillaume Prache, presidente da Better Finance. «O investimento de longo prazo só é sustentável quando a confiança, a transparência e as salvaguardas estão em primeiro lugar.»
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