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DBRS cética quanto à concretização da União Europeia da Poupança e Investimento nos próximos dois anos
Agência de rating aponta uma fragmentação difícil de superar e uma agenda presa em “vários processos legislativos e políticos, em vez de caminhar para um único quadro integrado de mercado”
15 Jun 2026 - 14:31
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Presidente do BCE Christine Lagarde a Comissária Maria Luís Albuquerque e o ex vice presidente do BCE Luís de GuindosFoto BCE
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Presidente do BCE Christine Lagarde a Comissária Maria Luís Albuquerque e o ex vice presidente do BCE Luís de GuindosFoto BCE
A agência de notação financeira Morningstar DBRS publicou, nesta segunda-feira, uma análise sobre o estado de evolução da União Europeia da Poupança e Investimento (SIU, na sigla em inglês), iniciativa liderada pela Comissária dos Serviços Financeiros, Maria Luís Albuquerque. A entidade manifesta um elevado ceticismo quanto à capacidade da Comissão Europeia para ultrapassar a fragmentação existente nos mercados financeiros da União Europeia.
“Apesar de um impulso político mais claro, a fragmentação continua a ser a principal limitação aos benefícios da União da Poupança e do Investimento em termos de crédito”, afirmou Marcos Alvarez, Diretor-Geral de Ratings de Instituições Financeiras Globais. “Embora os mercados de capitais da UE estejam certamente mais coordenados do que há uma década, ainda não atingiram um verdadeiro nível de integração, e a agenda da SIU continua a avançar através de vários processos legislativos e políticos, em vez de caminhar para um único quadro integrado de mercado”, acrescentou.
No estudo desenvolvido pela DBRS refere-se que “os próprios documentos da Comissão relativos ao pacote de medidas indicam que os mercados financeiros da UE continuam fragmentados e que as barreiras existentes continuam a limitar a escala e a competitividade. Os documentos do Conselho relativos à União da Poupança e Investimento mostram igualmente que a agenda continua a avançar através de vários processos legislativos e políticos, em vez de caminhar para um único quadro integrado de mercado”.
“Assim, o resultado mais provável da implementação da União da Poupança e Investimento nos próximos 18 a 24 meses será uma melhoria gradual, e não uma transformação rápida”, refere o estudo, acrescentando que “a resistência política a uma supervisão mais centralizada continua também a ser um desafio, especialmente entre centros financeiros de menor dimensão, o que poderá limitar o alcance final das reformas”.
Como resultado, a DBRS considera que as implicações da União da Poupança e Investimento “para o crédito a longo prazo são globalmente positivas, mas continuam dependentes da execução e da concretização efetiva das medidas legislativas”.
“No conjunto, consideramos a União da Poupança e Investimento cada vez mais relevante para o crédito, porque está agora a abordar as áreas que afetam mais diretamente a capacidade de financiamento e a resiliência dos mercados”, salienta a agência de rating, acrescentando que “a evolução no sentido de uma supervisão mais integrada, melhores infraestruturas de mercado, uma titularização mais funcional e um reforço gradual do capital institucional poderá contribuir para um ambiente europeu de mercados de capitais mais eficiente, tanto para as instituições financeiras como para os emitentes”.
Mais uma vez, “o principal teste continua a ser saber se a Europa conseguirá reduzir a fragmentação o suficiente para tornar esses benefícios duradouros e significativos”.
“Até que isso se torne mais claro, consideramos a União da Poupança e Investimento uma evolução favorável, mas ainda incompleta, para os mercados de crédito na Europa”, conclui a análise da DBRS.
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