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Há menos levantamentos em numerário, mas de maior valor
Comité de Pagamentos do BIS mostra que o dinheiro em espécie continua a ser importante. Bancos centrais de Portugal e Espanha aconselham famílias a manter uma reserva de dinheiro vivo, no dia em que se assinala um ano sobre o "apagão ibérico"
28 Abr 2026 - 07:30
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Foto: Adobe Stock/pookpiik
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Os pagamentos sem recurso a dinheiro físico estão em crescimento. Um relatório do Comité de Pagamentos e Infraestruturas de Mercado do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS), intitulado “Toque num cartão, pague com o telemóvel, mas o numerário ainda se mantém forte”, apresenta uma visão sobre a evolução dos meios de pagamento nas várias economias ao longo dos últimos anos.
Esta temática ganha particular relevância no momento em que se assinala um ano sobre o “apagão ibérico”, que desconectou grande parte dos sistemas de pagamento automáticos e deixou inoperacionais milhares de caixas automáticas em Portugal e Espanha.
A este propósito, os bancos centrais de Portugal e de Espanha já recomendaram que as famílias mantenham uma reserva de numerário em casa que garanta, pelo menos, entre 70 e 100 euros por membro do agregado familiar, ou que seja suficiente para cobrir as despesas essenciais durante 72 horas.
Ao mesmo tempo, o Banco Central Europeu (BCE) está ativamente envolvido no desenvolvimento do euro digital, a versão digital do numerário da moeda única, que permitirá efetuar pagamentos em caso de “apagões” através de uma carteira digital com funcionamento offline.
O relatório divulgado esta semana baseia-se em estatísticas recolhidas no segundo semestre de 2025 junto das jurisdições membros do Comité de Pagamentos e Infraestruturas de Mercado (CPMI) do BIS, frequentemente designado como o “banco central dos bancos centrais”.
O documento começa por apresentar uma visão geral da utilização de métodos de pagamento sem dinheiro físico e, em seguida, analisa as tendências nos pagamentos instantâneos. Posteriormente, aborda as tendências globais do dinheiro em circulação e dos levantamentos de numerário.
“Embora a digitalização contínua dos pagamentos seja uma tendência universal, existem diferenças significativas entre jurisdições. Nos países com economias em desenvolvimento, os consumidores utilizam cada vez mais meios de pagamento rápidos, enquanto nas economias mais avançadas os pagamentos sem numerário são sobretudo impulsionados pelo uso crescente de cartões”, refere o relatório.
O estudo conclui ainda que “o crescimento persistente dos pagamentos sem numerário coincide com uma diminuição contínua dos levantamentos de dinheiro e, em algumas jurisdições, com uma redução adicional dos pontos de acesso a numerário, como caixas automáticas e agências bancárias”.
O Comité refere que “a nível global, os consumidores levantam dinheiro com menor frequência, mas em montantes mais elevados. Além disso, o total de numerário em circulação estabilizou, de um modo geral, na maioria das jurisdições”.
“Os bancos centrais promovem um ecossistema de pagamentos em que consumidores e empresas possam efetuar e receber pagamentos de forma segura e eficiente. À medida que os métodos de pagamento evoluem e as preferências dos utilizadores mudam, é fundamental acompanhar os desenvolvimentos mais recentes”, acrescenta o organismo.
Em 2024, o dinheiro em circulação diminuiu ligeiramente ou estabilizou na maioria das jurisdições do Comité. Em média, o numerário em circulação, como percentagem do PIB, desceu ligeiramente para cerca de 9% nas economias avançadas e manteve-se próximo dos 6% nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento.
As diferenças entre jurisdições continuam a ser significativas. Apesar de nova diminuição, o numerário em circulação manteve-se mais elevado no Japão (21%) e na Região Administrativa Especial de Hong Kong (19%), sendo mais reduzido na Suécia (0,9%) e na Turquia (1%).
Uma vez que uma parte significativa do numerário em circulação é utilizada como reserva de valor, os levantamentos de numerário constituem um melhor indicador da sua utilização como meio de pagamento do que o valor total em circulação.
Embora se tenha observado uma ligeira subida e posterior estabilização em algumas jurisdições durante e imediatamente após a pandemia de Covid-19, os levantamentos de numerário como percentagem do PIB voltaram a diminuir na maioria das jurisdições em 2024.
Ainda assim, persistem diferenças relevantes entre países. O valor foi mais baixo na Suécia (1%) e nos Países Baixos (2%) e mais elevado na África do Sul (19%) e na Indonésia (14%).
O número de levantamentos de numerário per capita também diminuiu na maioria das jurisdições. Tal como o valor total levantado, o número anual de levantamentos por pessoa manteve-se mais elevado nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento (19) do que nas economias avançadas (14), variando significativamente entre países — de quatro na Suécia e na Índia até 42 na Arábia Saudita.
A diminuição do número de levantamentos per capita foi, em geral, acompanhada por um aumento do valor médio por levantamento, sugerindo que os consumidores passaram a levantar dinheiro com menor frequência, mas em montantes mais elevados.
Ao nível agregado, o valor médio por levantamento nos mercados emergentes e economias em desenvolvimento aumentou de 51 dólares em 2016 para 76 dólares em 2024. Nas economias avançadas, cresceu de 186 dólares para 246 dólares no mesmo período.
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