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Bancos da zona euro fecham a torneira do crédito
Banco Central Europeu fala de um “aperto maior do que o esperado” e do “mais acentuado desde 2023”. Até ao fim do ano, as condições ficarão ainda mais restritivas.
28 Abr 2026 - 11:12
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BCE sede | Foto: ecb multimedia
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BCE sede | Foto: ecb multimedia
São as primeiras ondas de choque do conflito no Médio Oriente. À medida que vão sendo divulgadas as informações relativas ao primeiro trimestre de 2026, vai-se construindo um retrato mais preciso das consequências da instabilidade geopolítica nas diversas áreas da economia. Nesta terça-feira, o Banco Central Europeu (BCE) publicou os resultados da “Pesquisa sobre Empréstimos Bancários na Zona do Euro”, relativos aos três primeiros meses do ano, e os dados não são animadores.
“Os bancos da zona do euro relataram um aperto líquido adicional nos critérios de concessão de crédito para empréstimos ou linhas de crédito a empresas. O aperto foi maior do que o esperado, situando-se acima da média histórica, e o mais acentuado desde o terceiro trimestre de 2023, prolongando uma tendência cumulativa de restrição iniciada em meados de 2025”, refere o estudo.
“Os principais fatores que contribuíram para este cenário foram os riscos percebidos para as perspectivas económicas e uma menor tolerância ao risco por parte dos bancos, tendo estes indicado os desenvolvimentos geopolíticos e energéticos como os principais elementos definidores das suas estratégias”, considera o BCE.
A instituição liderada por Christine Lagarde refere que, “entre os países da zona euro com maiores economias, os bancos de Espanha, França e Alemanha relataram critérios de crédito mais rigorosos para empresas, enquanto os bancos de Itália não indicaram qualquer alteração. Para o segundo trimestre de 2026, os bancos esperam um aperto líquido generalizado e mais acentuado nos critérios de crédito para empréstimos a empresas (19%)”.
Enquanto nos empréstimos imobiliários os critérios sofreram um ligeiro aperto, no que diz respeito ao crédito ao consumo essas restrições foram substancialmente mais fortes (percentagens líquidas de 2% e 15%, respetivamente).
“Para empréstimos imobiliários, a perceção de risco teve um impacto restritivo nos critérios de crédito, enquanto a concorrência teve um pequeno efeito de flexibilização. A menor tolerância ao risco e a maior perceção de risco por parte dos bancos foram os principais fatores que impulsionaram o aperto no crédito ao consumo”, refere o BCE.
Entre os maiores países da zona euro, os critérios de crédito para empréstimos imobiliários tornaram-se mais restritivos na Alemanha e em Espanha e permaneceram inalterados em Itália e em França. O aperto nos critérios de crédito para empréstimos imobiliários esteve, em geral, em linha com as expectativas dos bancos, enquanto o aperto no crédito ao consumo foi mais acentuado do que o previsto.
“Para o segundo trimestre de 2026, os bancos esperam que os critérios de crédito se tornem ainda mais restritivos, tanto para empréstimos imobiliários (8%) como para o crédito ao consumo (13%)”, adianta o BCE.
Segundo o estudo, “os bancos relataram um aumento líquido na proporção de pedidos de empréstimo rejeitados para todos os grupos de mutuários. O aumento líquido dessa proporção foi maior no crédito ao consumo (14%) do que nos empréstimos a empresas e no financiamento imobiliário (3%)”.
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