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Intermediários de crédito ganharam 582,6 milhões de euros em 2025

Fernanda Matias, responsável do Banco de Portugal, refere que o supervisor não pretende impor limites máximos à remuneração, mas garantir a lealdade na prestação dos serviços

01 Out 2026 - 07:30

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Fernanda Matias coordenadora da área da intermediação de crédito do Banco de PortugalFoto Melissa Dores

Woman in a white blazer speaking at a teal podium with ANICA logo during the 4th Convention; microphone and water bottle nearby on the podium.

Fernanda Matias coordenadora da área da intermediação de crédito do Banco de PortugalFoto Melissa Dores

Em 2025, os intermediários de crédito ganharam 582,6 milhões de euros, dos quais 116 milhões de euros corresponderam a remunerações fixas e 466,6 milhões de euros a remunerações variáveis. Os números foram divulgados na quarta-feira por Fernanda Matias, coordenadora da área da intermediação de crédito do Banco de Portugal, durante a 4.ª Convenção da Associação Nacional de Intermediários de Crédito Autorizados (ANICA), que se realizou em Lisboa.

A responsável afirmou que não é intenção do Banco de Portugal “impor limites máximos à remuneração dos intermediários de crédito, mas antes garantir a lealdade na prestação de serviços ao consumidor”, procurando tornar mais transparentes “os incentivos que vão condicionar a apresentação das propostas”.

Fernanda Matias confirmou que a proposta do Banco de Portugal para a redefinição do Regime Jurídico dos Intermediários de Crédito, que já foi entregue ao Governo, consagra a apresentação de um limite de cinco propostas diferentes ao cliente, “em relação aos intermediários que trabalham com várias instituições de crédito”, mas prevê também um conjunto de exceções tendo em conta quer a dimensão do intermediário, quer o perfil do cliente.

“Comparar não significa gerar apenas simulações, é garantir que, perante o perfil do cliente, lhe é apresentada a solução mais adequada”, referiu.

A responsável do Banco de Portugal traçou ainda um retrato dos intermediários de crédito no setor financeiro. Em 2025, no crédito à habitação, foram celebrados mais de 134 mil novos contratos, num valor global de 23,4 mil milhões de euros, mais 35% face a 2024.

No crédito aos consumidores, foram celebrados mais de 1,7 milhões de contratos, no valor de 9,1 mil milhões de euros, mais 11% face a 2024.

Os intermediários de crédito foram responsáveis por 57% dos novos contratos de crédito à habitação, correspondentes a 14,8 mil milhões de euros.

No caso do crédito aos consumidores, pela primeira vez, os intermediários de crédito foram responsáveis por 50,6% dos novos contratos.

“Não estamos a falar de um canal alternativo, mas de um canal central na distribuição do crédito”, referiu Fernanda Matias, acrescentando que “o intermediário de crédito é uma espécie de comparador humano. O valor dos seus serviços será tanto maior quanto melhor for feita essa comparação”.

Fernanda Matias alertou ainda os intermediários de crédito para a questão do incumprimento, referindo que, em 2025, os níveis agregados de incumprimento permaneceram contidos, com 0,1% no crédito à habitação e 1,2% no crédito aos consumidores.

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