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João Pedro Oliveira e Costa: “Somos a favor do prolongamento da garantia pública e das moratórias”
O CEO do BPI diz que o país tem de “parar de falar e começar a executar” e critica a inação em relação ao Código do Trabalho.
04 Mai 2026 - 14:10
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João Pedro Oliveira, ceo do BPI | foto: diasporaportuguesa
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João Pedro Oliveira, ceo do BPI | foto: diasporaportuguesa
O BPI está a favor tanto do prolongamento da garantia pública para a compra de casa como das moratórias no crédito à habitação e às empresas. Para o CEO da instituição financeira, “a garantia pública vai ao encontro de uma forte procura. O BPI fez, inclusive, uma solicitação de aumento do plafond que lhe foi atribuído e, neste aspeto, estamos na liderança em conjunto com a CGD”. João Pedro Oliveira e Costa falava esta segunda-feira na apresentação dos resultados trimestrais do BPI, que atingiram os 133 milhões de euros, uma descida de 2% face ao período homólogo de 2025.
Em relação à intenção do Banco de Portugal de apertar as exigências neste tipo de crédito, João Pedro Oliveira e Costa diz que o banco “garante sempre o cumprimento de todas as regras de supervisão e todas as que forem impostas vamos adotá-las”, acrescentando que “onde houve problemas no passado foi no mercado imobiliário e não no crédito à habitação”. Segundo o responsável, dos 1,3 mil milhões de euros de crédito à habitação jovem com garantia do Estado (correspondente a 6.600 contratos), “não existe nenhuma preocupação com o crédito jovem”.
“É preciso recordar que a garantia pública é uma iniciativa do Governo e não nossa. Mas, se tornarmos inviável o acesso dos jovens ao crédito, eles vão procurar outro lugar para constituir família”, refere o CEO do BPI, acrescentando: “Devíamos parar de falar sobre medidas para a habitação e devíamos começar a falar de execução. Há uma medida em que eu acredito: a construção de casas”.
João Pedro Oliveira e Costa diz que é “normal que um supervisor tenha sempre uma palavra de prudência. Aquilo que nós observámos no passado foi que o crédito à habitação sempre teve um comportamento de risco bastante reduzido”. Segundo o CEO do BPI, “as taxas de esforço estão dentro dos critérios definidos pelas normas macroprudenciais. Existe uma análise rigorosa dos mutuários e da sua capacidade de pagar o crédito. No BPI, o tempo médio de pagamento do crédito é cerca de metade do prazo negociado do empréstimo”.
Sobre a tendência de subida das taxas de juro em consequência do conflito no Médio Oriente, o CEO do BPI referiu que “o mercado já está a antecipar duas subidas até ao final do ano”. “Antevejo que, se as taxas de juro subirem, o primeiro impacto será na redução do consumo das famílias e, ao reduzir o consumo, isso terá impacto nas empresas, que vão ter menos possibilidade de crescer e contratar”, referiu.
Em relação ao prolongamento das moratórias no crédito à habitação e às empresas por mais 12 meses, João Pedro Oliveira e Costa mostrou-se também favorável: “A maioria dos clientes com crédito quer pagar e vai pagar; o que precisa é de mais tempo para o fazer”, afirmou, acrescentando que “não estamos a ver nenhum impacto negativo nos resultados do banco que possa decorrer dessa medida”.
Mais cáustico, João Pedro Oliveira e Costa criticou a indefinição em relação às mudanças no Código do Trabalho: “Acho que perdemos tempo demais a discutir o pacote laboral. Continuamos a ser um país adiado. Portugal está num mundo global e temos de encarar isso. Felizmente conseguimos ter um bem-estar significativo e, se o queremos manter, temos de olhar para o mundo de outra maneira”.
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