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Lagarde dá novas explicações sobre pagamento de 142 mil euros do BIS
A presidente do Banco Central Europeu (BCE) afirma que a sua participação no Conselho de Administração do Banco de Pagamentos Internacionais é independente do supervisor europeu e remunerada em conformidade.
29 Mai 2026 - 19:05
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Christine Lagarde, presidente do BCE/Foto: BCE
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Christine Lagarde, presidente do BCE/Foto: BCE
Não é a primeira vez que as remunerações pagas pelo Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) à presidente do Banco Central Europeu (BCE) geram polémica. O eurodeputado alemão Fabio De Masi, atualmente membro do partido Razão e Justiça (associado à extrema-esquerda), tem sido um dos mais empenhados em questionar os pagamentos efetuados pelo BIS, considerado o banco central dos bancos centrais, a Christine Lagarde.
Foi em resposta a mais uma carta do eurodeputado, enviada à Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, que a presidente do BCE respondeu através de uma missiva divulgada nesta sexta-feira pelo próprio BCE.
Nessa carta, Lagarde esclarece que o facto de ser membro do Conselho de Administração do BIS “implica participar nas decisões de governação do BIS, as quais acarretam responsabilidades de governação suscetíveis de originar responsabilidade jurídica pessoal, para a qual não existe qualquer seguro de responsabilidade de administradores e dirigentes”.
“O Conselho de Administração do BIS reúne-se pelo menos seis vezes por ano, normalmente de forma presencial na sede do BIS, em Basileia. Estas reuniões realizam-se, em regra, durante o fim de semana ou às segundas-feiras. Uma participação efetiva nestas reuniões exige preparação adequada e, ocasionalmente, acompanhamento entre reuniões”, adianta Lagarde.
A presidente do BCE explica ainda que “embora a minha participação no Conselho de Administração do BIS se enquadre no âmbito do meu mandato oficial enquanto presidente do BCE, trata-se igualmente de uma função exclusiva, centrada especificamente no BIS e exercida a título pessoal, não estando ligada às responsabilidades centrais do Conselho do BCE, sendo remunerada em conformidade”.
Perante esta situação, Lagarde refere que a remuneração anual paga pelo BIS entre 2020 e 2025 variou entre 104.001 francos suíços (113.677 euros) e 130.457 francos suíços (142.595 euros), acrescentando que esta remuneração foi “aprovada pelos acionistas do BIS durante a sua Assembleia Geral Anual”.
“Além disso, como referi na minha carta anterior, desde o início do meu mandato tenho estado sujeita ao mesmo Código de Conduta aplicável aos altos responsáveis do BCE, o qual permite aos membros do Conselho do BCE exercer mandatos oficiais na sua qualidade oficial, desde que tais atividades não comprometam a sua independência. A mesma lógica foi aplicada nos anteriores Códigos de Conduta dos membros do Conselho do BCE”, sublinha a responsável.
Lagarde refere ainda que, “uma vez que a participação no Conselho de Administração do BIS não é remunerada pelo BCE, esta não foi incluída nas Contas Anuais do BCE”. E acrescenta: “Permita-me recordar, contudo, que esta função foi sempre plenamente divulgada nas minhas Declarações de Interesses anuais, publicadas todos os anos no sítio Web do BCE”.
Por último, a presidente do BCE acrescenta que, “como mencionado na minha carta anterior, por minha sugestão, o Conselho do BCE decidiu facilitar ainda mais o acesso dos utilizadores aos dados disponíveis sobre os componentes remuneratórios dos membros da Comissão Executiva, incluindo nas Contas Anuais de 2025 as percentagens do salário base aplicadas aos subsídios de função”.
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