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Lucros do Absa Moçambique caíram 62,9% em 2025 para 9,1 milhões

O Absa Bank aponta o aumento de imparidades como o fator mais preponderante para a descida do lucro.

22 Mai 2026 - 10:21

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Absa bank moçambique | Foto: LinkedIn

Absa bank moçambique | Foto: LinkedIn

Os lucros do sul-africano Absa Bank Moçambique, um dos cinco maiores do país, recuaram 62,9% em 2025, para 687 milhões de meticais (9,1 milhões de euros), após máximos em 2024, segundo o relatório e contas. De acordo com o documento, este desempenho compara com os resultados líquidos de mais de 1,85 mil milhões de meticais (24,6 milhões de euros) em 2024, que então cresceram 14,1%, somando ao aumento de 58,7% em 2023.

Na mensagem que consta do relatório e contas, o administrador delegado do Absa, Pedro Carvalho, admite que 2025 foi um ano “particularmente exigente para a economia moçambicana e para o setor bancário”. “A recessão técnica, a descida das taxas de juro, a escassez de divisas e o agravamento da perceção de risco soberano criaram um contexto de forte pressão sobre a atividade bancária, afetando a geração de receita e aumentando o custo do risco”, apontou.

“O fator mais marcante do exercício foi, contudo, o aumento significativo das imparidades, sobretudo em resultado do reforço prudencial da cobertura do risco soberano. Esta decisão reflete uma abordagem conservadora e responsável face ao agravamento do ambiente de risco e demonstra a prioridade dada pelo Banco à solidez do balanço e à proteção da sua posição financeira”, acrescentou. Sublinha igualmente que os indicadores de 2025 “foram fortemente condicionados pelo aumento extraordinário das imparidades e devem, por isso, ser lidos à luz de um exercício marcado por ajustamentos prudenciais relevantes, mais do que por fragilidade da operação de base”.

“Ainda assim, a evolução da receita evidencia a capacidade do banco para sustentar o seu desempenho operacional num ambiente adverso. Os custos operacionais mantiveram-se sob controlo, com um crescimento de apenas 0,6%, o que reflete disciplina na gestão da base de custos e foco contínuo na eficiência. Este controlo foi particularmente relevante num ano em que o enquadramento externo exigiu rigor acrescido na alocação de recursos e na preservação da capacidade operacional do banco”, reconheceu ainda o administrador.

Na listagem atualizada este mês pelo Banco de Moçambique, além das três instituições consideradas sistémicas (BCI, BIM e Standard Bank), o Absa mantém-se entre os dois designados “quase” sistémicos, pela sua dimensão e importância. No final de 2025, a quota de mercado do Absa Moçambique no crédito a clientes subiu 0,2 pontos percentuais, para 10,6% do total, com um montante líquido que aumentou 1,3% para 28,69 mil milhões de meticais (381,9 milhões de euros). Nos depósitos, a quota de mercado, ainda segundo o relatório e contas de 2025, cresceu 0,5 pontos percentuais, para 9,8%, totalizando 77,21 mil milhões de meticais (1,03 mil milhões de euros), que cresceram em montante 11,7% num ano.

O Absa fechou o ano passado com 3,1% do crédito total em situação de incumprimento (5,5% em 2024), viu o produto bancário aumentar 0,8%, para 8,65 mil milhões de meticais (115 milhões de euros), e manteve 48 locais de atendimento, aumentando para 720 trabalhadores. O ativo total do banco cresceu em 2025 para 100,7 mil milhões de meticais (1,34 mil milhões de euros), enquanto o passivo aumentou para 88,28 mil milhões de meticais (1,18 mil milhões de euros), o rácio de solvabilidade caiu para 17,1% e o rácio de eficiência para 60%.

O capital social do Absa Bank Moçambique é detido em 98,68% pelo grupo sul-africano Absa, sendo os restantes 1,32% controlados por acionistas minoritários, como colaboradores e outros.

O Absa é um dos maiores grupos de serviços financeiros de África, com cerca de 38 mil colaboradores, e está presente em 12 países africanos, sendo cotado na Bolsa de Valores de Joanesburgo. O grupo inclui operações no Botsuana, Gana, Quénia, Ilhas Maurícias, Moçambique, Seicheles, África do Sul, Tanzânia, Uganda e Zâmbia, além de escritórios na Namíbia e na Nigéria, bem como presença internacional em Londres e em Nova Iorque.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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