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Lucros do BiG em Moçambique recuam quase 35% em 2025 para 2,7 milhões

O BiG explica que o resultado mais fraco se deve a eventos macroeconómicos, como a descida das taxas de juro e as pressões cambiais.

22 Jun 2026 - 11:00

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Foto Bancos de Portugal

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PT50

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Foto Bancos de Portugal

Os lucros do BiG Moçambique, do Banco de Investimento Global (BiG) português, caíram quase 35% em 2025, para 184,2 milhões de meticais (2,7 milhões de euros), segundo o relatório e contas do banco. No documento, a que a Lusa teve acesso, o banco reconhece que o desempenho de 2025 “foi influenciado pela ocorrência de eventos macroeconómicos” com “repercussões na atividade”, como “a redução das taxas de juro de referência” e “as pressões cambiais persistentes”.

Ainda assim, acrescenta-se, “o BiG manteve uma gestão cautelosa do balanço, que se traduziu numa redução da sua carteira bancária, em paralelo com a manutenção de uma situação de liquidez confortável ao longo do ano, nomeadamente em aplicações junto do banco central e outros títulos de curto prazo”.

O resultado líquido do BiG, banco especializado em investimento e poupança, recuou 34,7%, face aos 282,2 milhões de meticais (4,1 milhões de euros) de lucros em 2024.

No relatório e contas de 2025, o banco aponta ainda consequências da política monetária adotada pelo Banco de Moçambique, “no que concerne a redução das taxas de juro de referência e a manutenção dos coeficientes de reservas obrigatórias aplicáveis sobre os passivos dos bancos”, colocados “em níveis elevados”, bem como a “deterioração da capacidade de cumprimento do serviço da dívida pública”. Igualmente, refere consequências da nova descida do ‘rating’ de Moçambique “para as responsabilidades” do banco.

O produto bancário do BiG recuou no último ano 28,3%, para 424,1 milhões de meticais (6,2 milhões de euros), refletindo sobretudo a quebra da atividade financeira, indica-se igualmente no documento. A margem financeira desceu 27,8%, fixando-se em 289,1 milhões de meticais (4,2 milhões de euros), devido à redução da carteira de títulos e à maior concentração de aplicações junto do Banco de Moçambique, com menor rentabilidade. Já os resultados das operações financeiras registaram uma queda acentuada, de 53,3%, enquanto as comissões líquidas diminuíram 5,7%, para 93,2 milhões de meticais (1,4 milhões de euros), segundo as contas do BiG.

Apesar da quebra nos proveitos, os custos operacionais recuaram 19,6%, para 186,1 milhões de meticais (2,7 milhões de euros), refletindo uma contenção de despesas, incluindo uma redução de 3,5% nos custos com pessoal.

Em termos de balanço, o ativo total diminuiu 20,5%, para 3,87 mil milhões de meticais (56,8 milhões de euros), face aos 4,87 mil milhões de meticais (71,4 milhões de euros) registados em 2024, numa evolução associada à redução da carteira de ativos financeiros.

Por outro lado, os recursos de clientes (depósitos) cresceram 59,8%, passando de 798,9 milhões de meticais (11,7 milhões de euros) em 2024 para 1,28 mil milhões de meticais (18,7 milhões de euros) em 2025.

O banco sublinha que manteve uma estratégia conservadora, com forte peso de aplicações no banco central e reduzido apetite por crédito, num contexto marcado pela deterioração do risco soberano e pela pressão cambial persistente.

Em termos comerciais, “a atividade de serviços de clientes na gestão de poupanças e investimentos apresentou um crescimento, registando-se um aumento no número de operações de intermediação e no volume de ativos sob custódia”, acrescenta-se no relatório.

O BiG Moçambique foi constituído em 2016 e o seu capital é detido maioritariamente (82,6%) pelo Banco de Investimento Global, com sede em Lisboa, contando ainda com participações de entidades seguradoras moçambicanas.

Segundo dados do banco central, o sistema financeiro moçambicano integra 15 bancos comerciais e várias outras instituições, num contexto de desafios ligados à liquidez, financiamento e condições macroeconómicas.

 

Agência Lusa

Editado por Jornal PT50

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