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Maioria dos portugueses financia férias através de rendimentos correntes e poupanças

O estudo “Férias 2026” do Observador Cetelem revela que apenas 16% dos portugueses vão recorrer ao crédito. Cerca de 69% dos inquiridos já utilizam Inteligência Artificial para planear financeiramente as férias

23 Jun 2026 - 07:30

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Portugueses querem continuar a viajar em 2026/Foto: Freepick

Portugueses querem continuar a viajar em 2026/Foto: Freepick

“A maioria dos portugueses continua a financiar as suas férias através de rendimentos correntes e poupanças: 54% utiliza o salário ou subsídio de férias e 49% recorre a poupanças acumuladas. 16% dos consumidores utilizam soluções de crédito (12% com cartão de crédito e 2% com crédito pessoal)”, refere o estudo “Férias 2026” do Observador Cetelem, centro de estudos sobre consumo do BNP Paribas Personal Finance, divulgado esta semana.

De acordo com o estudo, cerca de 78% dos inquiridos já têm as suas férias de 2026 marcadas, mas a maioria está a adaptar os seus planos para manter o controlo do orçamento.

Com um orçamento médio previsto de 861 euros, valor inferior ao registado nos estudos anteriores especificamente para as férias de verão, quase três em cada dez portugueses admitem reduzir despesas. Verifica-se, assim, uma tendência clara de contenção dos gastos: no verão do último ano, o valor situou-se nos 967 euros e, antes da pandemia, no verão de 2019, fixava-se nos 1353 euros (-37%).

A inflação é o principal fator a condicionar as decisões dos portugueses relativamente às férias (39%), seguida da intenção de poupar (36%), do aumento dos combustíveis (35%) e das limitações do próprio orçamento (31%).

Neste contexto, 48% tentarão manter o mesmo nível de consumo do último ano, mas 29% admitem cortes efetivos (com especial incidência na faixa etária dos 35 aos 44 anos) e 57% impuseram um limite às despesas, fixando-as abaixo dos 1000 euros (apenas 17% tencionam gastar mais de 1500 euros). Só 12%, sobretudo jovens entre os 18 e os 24 anos, perspetivam gastar mais face ao último ano.

Ao analisar a distribuição dos custos das férias, as despesas fixas e estruturais absorvem a maior parte do orçamento: o alojamento lidera com 32% do total, seguido da alimentação (29%). Já os transportes representam 21% do orçamento dos portugueses para as férias, restando apenas 18% da verba disponível para atividades de lazer, entretenimento e outros extras.

Para rentabilizar o orçamento disponível sem abdicar das férias, a necessidade de poupança manifesta-se de diferentes formas: 28% reduziram gastos em atividades e restauração, 27% escolheram alojamentos mais económicos e 21% desistiram de viajar para fora do país. Ainda assim, viajar é uma intenção demonstrada por 66% dos portugueses, resultando num maior impacto no turismo nacional, que absorve grande parte das intenções de viagem: 44% optam exclusivamente por férias em Portugal, face a 30% que viajarão apenas para o estrangeiro (sobretudo jovens entre os 18 e os 34 anos) e 21% que pretendem combinar ambas as opções.

A tecnologia começa também a assumir um papel relevante no processo de decisão das férias. 62% dos portugueses já consideram ferramentas de Inteligência Artificial no processo de organização das férias. As principais utilizações dividem-se entre a pesquisa de destinos (33%), a comparação de opções (33%), o apoio durante a viagem (18%) e o planeamento de roteiros personalizados (32%).

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