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Mais um trimestre dourado para a banca europeia
A Morningstar/DBRS analisou os resultados de 17 grandes instituições financeiras, entre elas duas portuguesas: o Millennium bcp e a Caixa Geral de Depósitos
11 Ago 2026 - 07:30
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BCE sede | Foto: ecb multimedia
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BCE sede | Foto: ecb multimedia
A Morningstar/DBRS publicou esta semana um comentário onde analisa os resultados de 17 grandes bancos europeus, incluindo dois portugueses (o Millennium bcp e a Caixa Geral de Depósitos), e mostra que o segundo trimestre do ano foi mais um “período dourado” para o setor financeiro, deixando antever que os objetivos definidos para 2026 serão superados.
“Os resultados do segundo trimestre de 2026 registaram uma forte melhoria na banca europeia, com o lucro líquido trimestral agregado do conjunto de bancos analisado a aumentar, em média, cerca de 18% em termos homólogos. Em vários casos, a rentabilidade atingiu níveis recorde, apoiada pela resiliência da margem financeira, pelo aumento da geração de comissões e pela contenção dos custos do crédito”, refere a DBRS.
Aquela agência de rating adianta que “o total das receitas aumentou cerca de 9% em termos homólogos, enquanto os custos operacionais cresceram aproximadamente 5%, permitindo melhorar o rácio médio cost-to-income para 47,8% no segundo trimestre de 2026, apesar de os bancos continuarem a investir em iniciativas de inteligência artificial, computação em nuvem e digitalização”.
Em relação ao cost-to-income dos cinco maiores bancos a operar em Portugal, o rácio foi claramente inferior ao rácio médio apontado pela DBRS. O melhor foi o do Santander Totta, que ficou nos 27,2% no final de julho, seguido da Caixa Geral de Depósitos (CGD), com 31,5%, do Millennium bcp, com 37%, do Novo Banco, com 39%, e do BPI, com 43%.
A DBRS refere que a “qualidade dos ativos e a capitalização mantiveram-se resilientes, sustentando as perspetivas de crédito favoráveis para o setor. O rácio médio de crédito não produtivo (NPL) bruto diminuiu para 1,9%, enquanto o rácio médio de fundos próprios principais de nível 1 (CET1) se manteve estável em cerca de 14,9%, proporcionando aos bancos margem de manobra para financiar o crescimento e remunerar os acionistas, apesar da persistente incerteza geopolítica”.
“Embora a descida das yields dos ativos tenha continuado a exercer alguma pressão sobre as margens em determinados mercados, muitos bancos conseguiram compensar esse efeito através do crescimento do crédito, de uma evolução favorável dos depósitos, de custos de financiamento mais baixos e do contributo dos programas de cobertura estrutural”, acrescenta o comentário da agência de rating.
Além disso, os bancos com operações de banca de investimento de dimensão significativa, como o Deutsche Bank, o UBS e o BNP Paribas, registaram um aumento das receitas dos mercados de capitais, impulsionado pelo aumento da volatilidade dos mercados, que conduziu a uma forte atividade dos clientes e contribuiu para o crescimento das receitas de negociação.
O forte desempenho registado no primeiro semestre levou também vários bancos a rever em alta os seus objetivos financeiros ou as suas previsões. O ING aumentou os seus objetivos de receitas e de rentabilidade para 2026 e 2027; o Intesa Sanpaolo reviu em alta a sua previsão de lucro líquido para 2026, para mais de 10 mil milhões de euros; o BBVA aumentou o seu objetivo de ROTE para 2026; e a Société Générale reviu em alta o seu objetivo de ROTE para 2026 e a meta de redução de custos.
Para a DBRS, “a forte geração interna de capital, as iniciativas de otimização do capital e uma gestão disciplinada do balanço continuaram a compensar o impacto das significativas distribuições aos acionistas e do crescimento da atividade”.
Vários bancos, incluindo o Deutsche Bank, o Barclays e a Société Générale, anunciaram distribuições adicionais aos acionistas, sobretudo através de programas de recompra de ações. “Na nossa perspetiva, estes anúncios sinalizam a confiança das administrações na sustentabilidade dos resultados e na capacidade de geração de capital, apesar do contexto geopolítico incerto.”
Ao mesmo tempo, os bancos continuam atentos a oportunidades de aquisição atrativas, à medida que prosseguem a procura de oportunidades de crescimento.
“Os resultados do segundo trimestre de 2026 sustentam as nossas perspetivas de crédito favoráveis para a banca europeia durante o resto de 2026”, afirmou Nicola De Caro, Senior Vice President e responsável pelo setor de Ratings de Instituições Financeiras Europeias da Morningstar DBRS. “As tendências atuais sugerem que a maioria dos bancos está bem posicionada para atingir ou superar os seus objetivos para 2026, ou para resistir a um ambiente operacional mais desafiante caso as condições se deteriorem.”
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