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Morre aos 100 anos aquele que foi considerado “o maior banqueiro central de todos os tempos”

Durante 18 anos à frente da Reserva Federal norte-americana, Alan Greenspan presidiu ao período mais longo e sustentado de crescimento económico dos EUA numa geração

22 Jun 2026 - 13:41

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Alan Greenspan esteve mais de 18 anos à frente da Reserva Federal norte americana/ foto: Fundação Gerald Ford

Alan Greenspan esteve mais de 18 anos à frente da Reserva Federal norte americana/ foto: Fundação Gerald Ford

Em atualização

Quando, em 2006, Alan Greenspan encerrou o seu mandato de mais de 18 anos à frente da Reserva Federal norte-americana, os seus amigos, entre os quais se contava o Prémio Nobel da Economia Milton Friedman, apelidaram-no de “o maior banqueiro central de todos os tempos”. Nesta segunda-feira, aos 100 anos, morreu aquele que liderou o período mais longo de crescimento económico sustentado dos EUA numa geração.

Antes de se tornar um defensor acérrimo do mercado livre — “o mercado resolve tudo”, gostava de dizer — Greenspan foi um apaixonado pelo jazz que estudou clarinete na famosa escola de artes Juilliard, em Nova Iorque. E, como tinha talento para a música, chegou a tocar numa banda com Stan Getz, o lendário saxofonista, antes de partir em digressão pelo país com a Henry Jerome Band, uma experiência que lhe permitiu ter uma visão prática de como os americanos viviam no seu dia a dia.

De acordo com a BBC, “aos 19 anos, matriculou-se como estudante de economia na Universidade de Nova Iorque, onde se tornou um defensor fervoroso do liberalismo económico e onde encontrou emprego como consultor económico e, mais tarde, como membro do conselho de administração do banco JP Morgan”.

Foi em agosto de 1987 que o presidente Ronald Reagan o convidou para liderar a Fed, tendo sido posteriormente renomeado por George H. W. Bush e por Bill Clinton. Nos 18 anos seguintes, Greenspan contribuiu para a prosperidade americana, enfrentando desafios mais ou menos complexos.

Em 1987 ocorreu o crash da Bolsa, com algumas ações a perderem mais de 30% do seu valor. Greenspan sempre acreditou nos chamados “fundamentais da economia”, o que ajudou a acalmar os mercados. Em simultâneo, promoveu a disponibilização de liquidez, permitindo que as instituições bancárias resistissem.

Esta abordagem foi utilizada repetidamente sempre que os mercados enfrentavam uma crise. Mais tarde associada ao conceito de “afrouxamento quantitativo” — a célebre expressão “quantitative easing”, que se tornou famosa com o Banco Central Europeu da era Draghi, quando lançou o Programa de Compra de Ativos (Asset Purchase Programme — APP) em março de 2015 —, esta estratégia foi utilizada por Greenspan em situações como a crise das instituições de poupança e empréstimo da década de 1980, a primeira Guerra do Golfo, a crise do peso mexicano e, pouco depois da sua reforma, a crise financeira global de 2008.

Mas nem tudo foram êxitos. A convicção obstinada de Greenspan de que o mercado imobiliário não se desvalorizava pela sua própria natureza levou-o a negar a formação de uma bolha especulativa, que rebentaria um ano depois de ter deixado a Fed. A crise dos empréstimos subprime levou à falência de bancos e desencadeou a pior recessão económica global desde a Grande Depressão.

Segundo a BBC, os críticos afirmaram que a política de baixas taxas de juro de Greenspan após o 11 de setembro alimentou uma forte subida dos preços dos imóveis e a concessão excessiva de hipotecas por parte dos bancos.

Dizia-se também que a sua aversão à regulamentação bancária — e à utilização, por parte das instituições financeiras, de instrumentos complexos como derivados (credit default swaps) para garantir os seus empréstimos — tinha agravado o problema.

Em outubro de 2008, Greenspan admitiu que tinha depositado demasiada confiança no mercado livre e que não tinha dado a devida atenção aos riscos associados aos empréstimos subprime. Referiu, mais uma vez, que acreditava que se podia confiar na “autorregulação” do setor financeiro, pois esta estaria sempre alinhada com o melhor interesse das próprias instituições.

Num depoimento perante o Congresso, o antigo presidente da Reserva Federal confessou que os bancos tinham demonstrado que as suas ideias sobre o livre mercado e a desregulamentação estavam erradas. “Encontrei uma falha. Não sei quão significativa ou permanente ela é. Mas esse facto deixou-me muito angustiado.”

Na ressaca da crise do subprime, Greenspan passou por Portugal em 2007, numa digressão mundial de conferências. Na altura, defendeu que “se não se verificarem efeitos secundários, o pior da crise pode já ter passado”.

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