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Novo Banco decide dividendos a pagar em Assembleia Geral
Franceses do BPCE já podem receber segundo o acordo celebrado com a Lone Star e o Fundo de Resolução
23 Mar 2026 - 11:06
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Novo Banco | Foto: Rigby/JornalPT50
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Novo Banco | Foto: Rigby/JornalPT50
A assembleia-geral (AG) do Novo Banco reúne-se nesta segunda-feira para discutir as contas de 2025 e os dividendos, que poderão já ser atribuídos ao novo acionista do banco, o grupo francês BPCE.
A convocatória da reunião não é pública, mas a Lusa apurou que da ordem de trabalhos consta a aprovação das contas de 2025 (ano em que o banco registou resultados históricos de 828 milhões de euros) e a política de dividendos.
Apesar de o Novo Banco ainda ser detido pelo fundo norte-americano Lone Star (75%) e pelo Estado português (25%, através do Fundo de Resolução e da Direção-Geral do Tesouro e Finanças), e de a escritura da venda dever ser assinada apenas no final de abril, o acordo de venda ao grupo francês BPCE (celebrado no ano passado) prevê que a distribuição de lucros relativa a 2025 já pertença, na totalidade, ao grupo francês, segundo informações recolhidas pela Lusa.
Aliás, de acordo com as mesmas informações, o valor que o BPCE acordou pagar pelo Novo Banco — 6.400 milhões de euros (acima das expectativas do mercado) — já tinha como pressuposto essa apropriação dos dividendos de 2025.
Relativamente aos dividendos, a assembleia-geral desta segunda-feira pode deliberar não os distribuir de imediato, cabendo depois ao novo acionista — quando assumir formalmente o controlo do banco — decidir o que fazer.
Caso seja já decidido o pagamento de dividendos, estes serão atribuídos ao novo acionista, e não aos atuais (Lone Star e Estado português).
A Lusa questionou o Fundo de Resolução e o Ministério das Finanças sobre o tema, na qualidade de acionistas, mas não obteve resposta.
O Novo Banco foi criado em 2014 para integrar parte da atividade bancária do Banco Espírito Santo (BES), após este ter sido alvo, em agosto desse ano, de uma medida de resolução devido à grave crise em que se encontrava.
Em 2017, a maioria do Novo Banco (75%) foi vendida ao Lone Star, mantendo o Estado português a participação remanescente (25%).
Nessa venda, foi acordado um mecanismo através do qual o Fundo de Resolução compensaria o Novo Banco por ativos ‘tóxicos’ herdados do BES. Nos anos seguintes, o Fundo de Resolução injetou 3.405 milhões de euros no banco, o que gerou várias polémicas políticas e mediáticas devido ao uso de fundos públicos.
Com o fim antecipado deste mecanismo, no final de 2024, tornou-se possível a venda do banco e o pagamento de dividendos.
Em junho, os acionistas do Novo Banco aprovaram a sua venda ao BPCE por 6.400 milhões de euros, tendo os acordos sido assinados em outubro. Com a alienação, o Lone Star encaixa 4.800 milhões de euros e o Estado português 1.600 milhões de euros.
A escritura da venda do banco deverá ser assinada no final de abril.
O Banque Populaire Caisse d’Epargne (BPCE) é um dos principais grupos bancários de França.
O grupo já opera em Portugal no crédito ao consumo e na banca de investimento (detém o centro tecnológico da Natixis, no Porto, com 2.500 trabalhadores), mas esta aquisição marca a sua entrada na banca de retalho em Portugal.
Os mais de 4.000 trabalhadores do Novo Banco consideraram-se esquecidos no processo de venda e apresentaram um abaixo-assinado a exigir um prémio pelo seu esforço nos últimos anos, equivalente a dois salários. O Novo Banco acabou por concordar, e o pagamento do bónus ocorrerá com o processamento dos salários de maio.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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