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O dia D de Kevin Warsh no caminho para a Reserva Federal

O escolhido por Trump para substituir Jerome Powell enfrenta hoje os 21 senadores da Comissão Bancária

21 Abr 2026 - 07:30

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Kevin Warsh nomeado por Trump para a FED

Kevin Warsh nomeado por Trump para a FED

Quando hoje, pelas 15 horas (hora de Lisboa), Kevin Warsh entrar na sala do Dirksen Senate Office Building, um dos edifícios que integram o complexo do Senado dos Estados Unidos, em Washington, D.C., estará a jogar uma das cartadas mais importantes da sua nomeação para presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed).

A audiência perante o Comité Bancário do Senado é o próximo passo na trajetória, ainda controversa, do financeiro de 56 anos rumo à liderança do banco central dos Estados Unidos. O último dia de Jerome Powell no cargo de presidente da Fed é oficialmente 15 de maio, mas os republicanos comprometeram-se a bloquear a confirmação de Warsh até que o governo Trump encerre a investigação criminal contra Powell e o banco central, que consideram frívola e uma ameaça à sua independência.

Trata-se de um momento crítico que vai além dos detalhes da política monetária, numa altura em que a Fed enfrenta os desafios mais intensos à sua posição desde os anos imediatamente posteriores à Segunda Guerra Mundial.

O presidente Donald Trump tem conduzido uma campanha agressiva para obter maior influência sobre o banco central, exigindo a implementação de cortes significativos nas taxas de juro e criticando duramente os responsáveis pela política monetária quando estes não atingem esse objetivo.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também se tem mostrado crítico da Fed, no contexto de discussões sobre uma eventual reformulação das suas operações ou a celebração de um novo “acordo” entre o banco central e o Tesouro — instituições com funções distintas, cuja interação poderá suscitar preocupações quanto a eventuais tentativas de monetização da crescente dívida pública.

“Warsh expressa apoio incondicional à independência da Fed e distancia-se do apelo do governo por cortes drásticos nas taxas de juro?”, escreveram Matthew Luzzetti, economista-chefe do Deutsche Bank para os EUA, e os seus colegas na semana passada, citados pela agência Reuters. “Warsh terá de conquistar a confiança e a credibilidade dos mercados quanto ao seu compromisso com o cumprimento da meta de inflação — credenciais que qualquer novo presidente tem de construir. Esta exigência pode ser ainda mais premente no contexto atual”, acrescentaram.

São 21 os senadores que integram o Comité Bancário, liderado por Tim Scott, republicano da Carolina do Sul.

Mas é com a vice-presidente, a democrata Elizabeth Warren, de Massachusetts, que Warsh terá verdadeiramente de se preocupar. Trata-se provavelmente da voz mais incisiva do comité. Defensora de uma regulação mais apertada do setor bancário, altamente crítica do comportamento da Reserva Federal e de Wall Street, tem uma forte vocação para a defesa dos consumidores. Foi a criadora do Consumer Financial Protection Bureau (CFPB), organismo que protege os consumidores de serviços financeiros.

Entre as suas iniciativas contam-se propostas para a criação de um imposto sobre grandes fortunas e a exigência de separação entre banca comercial e banca de investimento nos grandes bancos.

As ideias de Warsh sobre taxas de juro ecoam argumentos apresentados pelo ex-presidente da Fed Alan Greenspan durante a década de 1990, nomeadamente sobre o impacto da produtividade na inflação, ao mesmo tempo que o aproximam da posição de Trump em defesa de taxas mais baixas. Trump afirmou que apenas nomearia alguém em quem tivesse confiança para reduzir os custos do crédito.

O elevado balanço do Fed é também uma questão sensível. Expandido de forma significativa para combater a crise financeira de 2007-2009, o volume de títulos do Tesouro e de ativos indexados a hipotecas tornou-se uma ferramenta essencial para o controlo das taxas de juro, permitindo à Fed atingir os seus objetivos de inflação de 2% e de pleno emprego.

Warsh, que integrou o Conselho de Governadores da Fed durante a crise, há cerca de duas décadas, opôs-se ao crescimento aparentemente ilimitado do balanço, tal como outros economistas conservadores que consideravam que tal distorcia os mercados financeiros. Acabou por sair do banco central em 2011, evitando um confronto público com o então presidente Ben Bernanke, nomeadamente através de votos dissidentes em debates de política ainda centrados em impulsionar a economia após o período de crescimento lento pós-crise.

Warsh entrou para a Fed em 2006, nomeado pelo presidente George W. Bush, e foi um conselheiro-chave de Bernanke quando a crise imobiliária do subprime evoluiu para um colapso financeiro generalizado, que desencadeou não só programas de compra de ativos por parte da Fed, mas também resgates governamentais em larga escala em Wall Street.

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