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O sector segurador português: resiliência, lacunas de proteção e a urgência de uma visão de longo prazo

Por, Gabriel Bernardino, Presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF)

29 Mai 2026 - 07:30

2 min leitura

Gabriel Bernardino, Presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF)

Gabriel Bernardino, Presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF)

O sector segurador português está num ponto de inflexão entre a gestão de riscos tradicionais e a assunção de um papel ativo nos riscos estruturais de longo prazo. Essa evolução depende de escolhas claras de política pública e de um enquadramento que reforce a proteção contra catástrofes e mobilize poupança para investimento estratégico.

O sector segurador português atravessa atualmente uma fase paradoxal. É um sector sólido, prudente e bem capitalizado, mas confronta‑se com desafios estruturais que colocam em causa o seu posicionamento futuro. Encontra‑se, por isso, num ponto de inflexão: ou permanece essencialmente um gestor eficiente de riscos tradicionais, como o automóvel, os acidentes de trabalho ou a saúde, ou evolui para um gestor ativo dos riscos estruturais e de longo prazo da sociedade portuguesa, nomeadamente na poupança para a reforma, na proteção contra catástrofes naturais e nos riscos cibernéticos.

Esta evolução não é automática nem resulta apenas de decisões do mercado; depende também de opções de política pública claras e de um enquadramento institucional que permita simultaneamente reforçar a proteção dos cidadãos e das empresas e canalizar poupança de longo prazo para investimento estratégico, incluindo infraestruturas e as transições digital e climática.

Do ponto de vista financeiro, os indicadores são robustos. O sector, em média, mantém níveis confortáveis de solvência, dispõe de mecanismos eficazes de gestão de risco e demonstra capacidade para absorver choques significativos. Paralelamente, encontra‑se em curso um processo de transformação tecnológica, que está a alterar modelos de distribuição, de avaliação de risco e de relacionamento com os clientes, ainda que a ritmos diferenciados entre operadores.

Artigo escrito por João Luz Soares e publicado originalmente na Revista InforBanca.

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