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Pierrakakis: “Na Europa não falta talento, não falta poupança; o que falta é escala para transformar economias em inovação”
Presidente do Eurogrupo defende as finanças digitais num mercado integrado e elogia a União das Poupanças e do Investimento
04 Mar 2026 - 13:38
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Kyriakos Pierrakakis, novo presidente do Eurogrupo
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Kyriakos Pierrakakis, novo presidente do Eurogrupo
“Na Europa não há falta de ideias. Não falta talento. Não falta poupança. O que falta é a escala e os canais para transformar poupança em inovação”, afirmou nesta quarta-feira Kyriakos Pierrakakis. O presidente do Eurogrupo falava no Luxemburgo, no Fórum do Banco Europeu de Investimento (BEI).
O responsável defendeu o projeto da União da Poupança e do Investimento (protagonizado pela comissária Maria Luís Albuquerque), considerando tratar-se “da reforma estrutural que a Europa adiou durante demasiado tempo”. “É por isso que agora precisamos de falar seriamente sobre o próximo passo: modernizar a infraestrutura através da qual o capital se move”, referiu.
“Todos os anos, os europeus poupam cerca de 1,4 biliões de euros, e uma grande parte desse montante permanece em depósitos de baixo rendimento. Entretanto, os nossos concorrentes investem mais em tecnologias de ponta e crescem mais rapidamente”, afirmou o presidente do Eurogrupo, defendendo o desenvolvimento das finanças digitais.
“A era da inocência geopolítica acabou. A soberania europeia já não é uma ambição abstrata; é uma condição para a sobrevivência económica e para a força institucional”, acrescentou Pierrakakis.
Para o presidente do Eurogrupo, “hoje, a Europa enfrenta um problema estrutural de competitividade. O crescimento da produtividade ficou atrasado durante demasiado tempo e o diferencial face aos Estados Unidos ampliou-se ao longo de duas décadas. Ao mesmo tempo, os ventos demográficos contrários estão a tornar-se constrangimentos relevantes. Até 2040, a força de trabalho europeia poderá diminuir em quase dois milhões de pessoas por ano”.
“Isso é relevante porque altera a equação. O crescimento já não pode depender da expansão da oferta de mão de obra. Deve resultar de maior produtividade. E maior produtividade resulta de inovação, investimento e alocação eficiente de capital”, acrescentou.
Para o responsável grego que lidera o Eurogrupo, “as finanças digitais não são uma melhoria marginal. São uma transformação estrutural na forma como o capital é captado, alocado, liquidado e supervisionado”, salientando que “a transformação vai acontecer. A verdadeira questão é saber se a Europa a molda ou se se limita a adaptar-se a estruturas desenhadas noutros locais”.
Segundo o presidente do Eurogrupo, “as finanças digitais podem fazer algo profundamente importante para a Europa: podem encurtar distâncias”. “Podem reduzir a distância entre aforradores e inovadores. Podem aproximar pequenas empresas de grandes reservas de capital. Podem diminuir a distância entre mercados nacionais e um mercado verdadeiramente europeu”.
Pierrakakis sublinhou que “a questão não é a tecnologia em si. A questão é saber se conseguimos reduzir o custo estrutural do capital na Europa e se conseguimos alocar capital de forma mais rápida e eficiente a investimentos produtivos”.
“Os benefícios são concretos: maior inclusão, mais concorrência, custos mais baixos para os inovadores, recursos financeiros mais profundos para os empreendedores e maior transparência para os investidores. Mas apenas se integrarmos tudo isto num quadro europeu coerente”, defendeu.
Pierrakakis acrescentou que “a União da Poupança e do Investimento aprofunda e integra os mercados de capitais em toda a Europa. As finanças digitais modernizam a infraestrutura que permite que esses mercados funcionem de forma eficiente e em larga escala”.
“A inovação financeira gera eficiência, mas exige também supervisão coordenada adicional e uma governação robusta, se quisermos garantir confiança e estabilidade”, afirmou, defendendo que “não podemos permitir que a inovação digital fragmente os nossos mercados em compartimentos nacionais. Não podemos permitir que ecossistemas de plataformas deem origem a novas formas de segmentação de mercado”. Além disso, sublinhou que “os criptoativos e as stablecoins mostraram como a inovação pode ultrapassar rapidamente a supervisão. O risco cibernético não é uma questão secundária; é sistémico”.
O presidente do Eurogrupo referiu que “a lição é simples: inovação sem confiança não cresce. E a confiança não é criada pelo otimismo; é criada por regras, supervisão e fiscalização credível”.
Segundo Kyriakos Pierrakakis, “a escolha não é entre inovação e estabilidade. A verdadeira questão é saber se temos a clareza estratégica e a confiança política necessárias para alcançar ambas”.
O presidente do Eurogrupo concluiu a sua intervenção clarificando a sua ideia de “sucesso europeu”: “O sucesso é uma Europa onde a poupança não fica parada enquanto a inovação procura capital. O sucesso é uma Europa onde uma empresa pode crescer além-fronteiras tão facilmente como cresce dentro do espaço europeu. O sucesso é uma Europa onde a tecnologia reduz custos e amplia oportunidades, sem comprometer a estabilidade. O sucesso é uma Europa onde os mercados de capitais cumprem a sua função: alocar capital de forma eficiente ao crescimento produtivo”.
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