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Preço das casas é principal vulnerabilidade do setor financeiro português
De acordo com os dados do FMI, o preço das casas em Portugal subiu 169% desde 2015, contra 55% na Zona Euro.
22 Set 2026 - 18:40
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O preço das casas em Portugal é a principal vulnerabilidade com implicações futuras para o setor financeiro, considerou nesta terça-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI). Os preços dos imóveis subiram 169% em Portugal desde 2015, o que compara com 55% na Zona Euro, destacou Michaela Erbenova, diretora-adjunta do Departamento de Mercados Monetários e de Capitais do FMI, numa conferência organizada pelo Banco de Portugal, em Lisboa.
O endividamento das famílias está abaixo da média da Zona Euro, mas “agora apresenta uma tendência de subida”, notou. Apesar deste alerta, a responsável sinalizou que os preços dos imóveis parecem elevados, mas os “riscos imediatos estão contidos”. Os bancos estão “altamente resilientes” a choques no mercado imobiliário, mas o ciclo de crédito está a mudar e as almofadas podem diminuir, admitiu, apontando que a prioridade de política é “preservar a resiliência”.
Gohar Minasyan, economista sénior do FMI também presente na conferência, destacou que, na análise a Portugal, foram conduzidos testes de stress com cenários de correções dos preços das casas, nomeadamente uma análise de sensibilidade com uma queda de 40% no preço dos imóveis, e em todos os exercícios os bancos conseguiam resistir aos choques.
Mesmo assim, continuou a recomendar uma “monitorização próxima” dos riscos do mercado imobiliário, nomeadamente tendo em conta que o recurso ao crédito acelerou, em contraste com o que aconteceu na década passada. A responsável reconheceu ainda que a acessibilidade à habitação “é um desafio significativo”, salientando que é importante que as políticas aumentem a oferta de habitação e, ao mesmo tempo, assegurem que os recursos públicos direcionados para este desafio vão para famílias que precisam mais.
Também presente num painel nesta conferência esteve Paulo Macedo, CEO da Caixa Geral de Depósitos, que salientou que uma variável também determinante para ter, ou não, uma crise na habitação é o emprego, e atualmente o desemprego está a um nível baixo, representando uma “almofada” para prevenir a crise.
O responsável admitiu ainda assim que os preços do imobiliário estão a aumentar e “vão continuar a aumentar porque há uma assimetria entre a procura e a oferta”, mas destacou que os bancos já têm folhas de balanço com menos riscos. Tendo em conta as almofadas que têm e a gestão feita dos riscos, Paulo Macedo disse pensar que existe uma maior preparação para uma eventual queda nos preços do imobiliário.
Agência Lusa
Editado por Jornal PT50
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