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Qualidade dos dados é decisiva para transformar IA em confiança
Na abertura do AI & Data Summit, Teresa Cardoso de Menezes, diretora-geral da Informa D&B, alertou para a crescente dependência das organizações relativamente aos dados e defendeu que a confiança nas decisões começa na qualidade da informação
16 Out 2026 - 19:44
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Teresa Cardoso de Menezes Diretora geral da Informa DB
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Teresa Cardoso de Menezes Diretora geral da Informa DB
A inteligência artificial está a transformar a forma como as empresas trabalham e tomam decisões, mas a eficácia das novas ferramentas continua a depender de um “pequeno” pormenor: a qualidade dos dados que utilizam. Uma ideia sublinhada por Teresa Cardoso de Menezes, diretora-geral da Informa D&B, na abertura do AI & Data Summit, organizado pelo Jornal PT50 que se realizou esta semana no The One, em Lisboa, sob o tema “A qualidade dos dados na banca e seguros: do risco à confiança”.
Aquela responsável chamou a atenção para a dimensão das mudanças em curso e para a dificuldade em antecipar todas as consequências da evolução tecnológica. “Os desafios que a inteligência artificial e os dados nos vão colocar são imensos, e alguns já os enfrentamos, porque já trabalhamos todos os dias com estas ferramentas. Outros, talvez, nem sequer os consigamos imaginar”, afirmou.
Para Teresa Cardoso de Menezes, a discussão sobre a inteligência artificial deve começar precisamente pela informação que permite o funcionamento destas tecnologias. A diretora-geral lembrou que a utilização de sistemas de IA não é uma novidade para a Informa D&B, que “trabalha com estas ferramentas há mais de vinte anos, muito antes da atual expansão da inteligência artificial generativa”, e explicou que a experiência acumulada permitiu à empresa identificar uma condição essencial para a utilização eficaz destas tecnologias. “Aprendemos uma verdade fundamental: a eficácia da inteligência artificial, em todas as suas formas, depende inteiramente da qualidade dos dados que a alimentam”, reiterou.
Esta preocupação faz parte do trabalho quotidiano da Informa D&B, nomeadamente devido à diversidade de fontes de informação disponíveis e aos diferentes níveis de qualidade que apresentam. “Validamos todos os dias as fontes, as fontes que existem, fontes diferentes”, garantiu aos presentes.
A diretora-geral salientou ainda que o crescimento do volume de informação disponível não constitui, por si só, uma novidade. A evolução tecnológica tem permitido, há várias décadas, aumentar a capacidade de recolha, tratamento e análise de dados. A principal diferença está, no seu entender, na importância que essa informação passou a assumir no funcionamento das organizações. “O que mudou verdadeiramente é a dependência que temos dos dados. Hoje, não fazemos nada sem dados”, afirmou. Por isso, defende uma mudança de prioridades na forma como as empresas encaram os dados. “Acredito que chegou o momento de recentrar a visão da quantidade dos dados para a qualidade dos dados”, afirmou.
Qualidade dos dados ganha importância nas decisões financeiras
Na abertura do encontro, Teresa Cardoso de Menezes relacionou diretamente esta necessidade com os desafios enfrentados pela banca e pelo setor segurador, duas áreas em que a utilização de informação está associada a decisões com impacto económico e social.
A diretora-geral chamou a atenção para a responsabilidade das instituições financeiras e para as exigências regulamentares a que estão sujeitas, considerando que estes fatores tornam particularmente importante a qualidade dos dados utilizados nos processos de decisão. “Quanto maior a qualidade dos dados, maior a confiança”, afirmou, acrescentando que a qualidade da informação aumenta também a probabilidade de as decisões tomadas serem acertadas.
A confiança entre agentes económicos está, aliás, no centro da atividade da Informa D&B, explicou Teresa Cardoso de Menezes, ao recordar que a empresa disponibiliza informação destinada a apoiar as decisões das organizações. E há 120 anos que o faz. A diretora-geral recordou que as origens históricas da empresa remontam a 1841, nos Estados Unidos, com o percurso em Portugal a iniciar-se em 1906. “A qualidade dos dados é parte do nosso ADN”, afirmou, relacionando a história da organização com a preocupação permanente em disponibilizar informação rigorosa.
Apesar das mudanças tecnológicas e das sucessivas adaptações dos processos de recolha, análise e disponibilização de dados, “a missão da empresa manteve-se essencialmente inalterada”, afirmou, explicando que o objetivo continua a ser produzir inteligência que ajude empresários e gestores a tomar melhores decisões.
A empresa atravessou diferentes períodos económicos e políticos, incluindo fases de expansão e contração da economia, guerras, crises e mudanças de regime. Ao longo desse percurso, explicou a responsável, procurou acompanhar as necessidades dos agentes económicos e adaptar a sua atividade às mudanças que foram ocorrendo.
A propósito do aniversário da Informa D&B, Teresa Cardoso de Menezes destacou ainda a composição da equipa, atualmente constituída por 32 pessoas de quatro gerações diferentes, reunindo percursos profissionais e experiências distintas.
A executiva abordou ainda a forma como as necessidades das empresas têm contribuído para a evolução dos serviços e das ferramentas desenvolvidas pela Informa D&B. Na sua intervenção, Teresa Cardoso de Menezes explicou que o crescimento da quantidade de informação disponível é acompanhado por pedidos cada vez mais específicos dos clientes, nomeadamente a banca e o setor financeiro, que procuram dados para responder a problemas concretos da sua atividade. Necessidades que, não tem dúvida, “obrigam” a empresa centenária a encontrar formas de transformar os dados disponíveis em conhecimento útil.
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